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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Sempre a mesma coisa

Vou aproveitar a “deixa” do confrade e amigo Sérgio Brandão, quanto ao que fazia o também amigo Popini, e reproduzir parte da coluna que postei no dia 12 de março último. Não há mais o que dizer sobre o Coritiba que estão nos entregando. Um dos amigos leitores - Alvaro Rosa - me mandou mensagem dizendo que pouco tem comentado nas colunas, pois está cansado de sempre dizer a mesma coisa. Eu também.

Não Vou ser irresponsável e acusar o clube de gastar demais, pois o que sei - e a torcida também - sobre os valores das contratações, são apenas especulações (embora entenda que tal como é obrigatório na administração pública quando aos vencimentos dos servidores, os associados dos clubes deveriam poder ter acesso aos dados), mas sem dúvida o custo-benefício de alguns negócios são sofríveis.

Como entender a repatriação do limitado Robson e ainda pagar para tê-lo? Como aceitar a contratação de tantos veteranos que por qualquer tropeção se lesionam e se hospedam indefinidamente no departamento médico? E como ver que o Bruno Viana não está nem um degrau acima do que era o Castan, mas foi contratado por valores ditos como muito altos? São exemplos dentre outros que poderia apontar. Temos um plantel com quarenta atletas, alguns contratados a peso de ouro, e poucos se mostram aproveitáveis para integrar um time que pretende algum sonho maior.


Poderia me estender sobre ontem e os últimos jogos, mas vou tocar em um ponto que me parece tem sido desconsiderado pela mídia e pela torcida, qual seja a responsabilidade do dirigente que a moda chama de “head”, Lucas Drubscky, pelas tantas más e ilusórias contratações, desde o treinador (aqui a referência era ao Antonio Oliveira) até o Potker. Acho que é por aí que temos que procurar o furo no casco do navio e tentar começar a corrigir enquanto é tempo.

Como está, acho muito difícil que o Coritiba que estão nos entregando possa ter sucesso em médio prazo se não houver uma tomada radical de decisões que contenham algumas demissões e contratações através de quem realmente entenda de futebol e seja correto nas escolhas. Como está, o horizonte que se vislumbra é escuro.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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