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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Sobre meninos e lobos.


Não posso deixar de participar do tema do momento entre os meios de comunicação e a torcida do Coritiba: o aproveitamento de atletas jovens, oriundos das chamadas bases, mesclados com jogadores experientes.

Desde o atletiba parece que está se encaminhando uma redenção do time neste campeonato, e há um entusiasmo entre os torcedores, ainda que contido entre os mais frios e vividos.

Pois bem, se na teoria do futebol – e isso é lição quase que rudimentar – não há time formado somente por jovens, ou somente por experientes, que se mantenha bem a médio e menos ainda longo prazo, sendo fundamental a heterogeneidade, o que vemos no momento é que o Coritiba em tese está tomando o rumo certo.

Iniciamos o ano com erros de contratações, decorrentes de má avaliação de quem tinha o poder de sugerir e de decidir, mas a direção do clube soube acordar em tempo e trazer para o elenco jogadores experientes, daqueles que não são apenas rodados, mas também vitoriosos, bem como a comissão técnica soube dar oportunidade para que jovens como Henrique e Rodrigo Ramos tenham vez.

Penso que ainda há muito que corrigir e o comando técnico deve se conscientizar de carências e mudar alguns conceitos.

Não estamos bem no que se chama de primeiro volante, pois nem João Paulo, nem Hélder e muito menos Fabrício são confiáveis e estão à altura de compor um time qualificado.

Também penso que em que pese o nome do Wellington Paulista talvez seja significativo perante Ney Franco, o investimento no Raphael Lucas é muito mais rentável. Aquele é jogador limitado, temperamental e até mesmo às vezes desleal. O jovem Raphael Lucas, por sua vez, promete muito mais, é melhor investimento e melhor estará a partir do momento em que superar a timidez que às vezes demonstra, a qual, coincidentemente ou não, é ressaltada quando escalado juntamente com o Wellington Paulista.

Talvez seja necessário também contratar um zagueiro de peso, preferencialmente líder para o grupo, uma vez que embora a nossa defesa tenha melhorado, os nomes à disposição não são suficientes para um longo campeonato. Um parêntesis: Boa notícia. O nosso zagueiro “quinta coluna” não consta mais na relação do elenco na página do clube.

Goleiros, embora o Bruno só tenha falhado nos dois primeiros jogos, até agora os que temos não nos dão segurança absoluta, tal como como tínhamos com históricos “arqueiros” como Jairo, Manga, Mazzaropi, Rafael e outros. Mas logo veremos ao que veio o “lobo” Wilson e um dia veremos o “menino” Willian Menezes de quem tanto se fala.

Na meia cancha, o setor de criação talvez seja o nosso ponto forte no momento. Além da experiência e técnica do Lúcio Flávio e do Marcos Aurélio (que parece ter no Coritiba o seu habitat), Ruy e Thiago Galhardo, com um pouco mais de destaque para este, têm se mostrado bem e trazem perspectivas de crescimento para a equipe.

Enfim, ainda temos que ver Kléber em boa forma, Carlinhos disputando a vaga com o Henrique, Rodrigo Ramos mostrando que é o que foi na estreia, Cáceres sendo o que foi no atletiba, Esquerdinha tendo regularidade e Ícaro e Mateus Oliveira sendo testados.

Enquanto isso seria bom esquecer-se do Negueba, dar preferência ao Raphael Lucas e tentar usar outro primeiro volante que não os até agora utilizados.

Inegável que o longo e desgastante campeonato brasileiro não permitirá que se tenha um time certo e determinado, pois lesões e suspensões, e até estratégias dependentes do modo de jogar do adversário, farão com que haja muitas variações no curso da disputa. O importante é ter opções e um bom elenco.

Tenho esperança no time dos meninos e lobos.



Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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