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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Sopa de hospital e chapa branca.

Quem já esteve hospitalizado sabe o que se sofre com a comida de tais instituições de saúde. Quem teve a sorte de nunca estar deve saber por ouvir dizer. A comida não tem sabor, parece ser propositalmente ruim para o paciente ser obrigado a tentar reunir forças e sair.

O Coritiba dos últimos anos é como se fosse sopa de hospital. Tem os ingredientes necessários para ser bom – jogadores, treinadores e dirigentes, e agora dinheiro - mas dificilmente é, à toda hora fazendo cm que a sua torcida se sinta triste, desanimada e deprimida. Muitos, menos convictos, até deixando de ir aos jogos ou de assinar a TV para assistir.

Como entender a apresentação horrorosa do time ontem? Tal como aconteceu no jogo contra o Cascavel nada produziu no ataque – deu um chute a gol apenas – o elenco parecia um amontoado que se reunira na véspera. O time não é dos sonhos, está longa disso, mas deve ter condições de apresentar um futebol mínimo e especialmente digno, não o que vimos ontem e em outros jogos.

Péssimas atuações individuais, se fosse para votar teria que ser para encontrar o menos ruim, pois ninguém escapou do conceito, e um treinador que o que mais faz é reclamar da arbitragem do que ler o jogo, ontem só substituindo os inoperantes quando o jogo se encaminhava para o seu final (e entrar com David foi mais um balde de água fria do que despertou algum ânimo)

É desestimulante, desesperador, desanimador e deprimente ver o Coritiba há um bom tempo. Lampejos acontecem às vezes e achamos que “agora vai”, para na primeira esquina voltarmos a tropeçar. E sentimos a realidade cruel que impera no clube há alguns anos, tornando-o menor a cada ano, a despeito de novos nomes na direção ou da milagrosa SAF.

Acho muito difícil reverter o resultado e, mais ainda, caso reverta, passar pelo rival em possível final. É triste, nossa alma de torcedor quer ter um fio de esperança, mas está muito difícil.

Difícil também é acompanhar o jogo pelo único meio disponível, a TV Coxa Prime, e ter que ouvir o insosso comentarista chapa-branca dizendo ver como boa a atuação do time, como se quem estivesse assistindo fosse tolo e nada conhecesse de futebol. Ontem, se eu estivesse sem vídeo e só com o áudio, imaginaria que o Coritiba estava sendo injustiçado diante da qualidade que o comentarista dizia ver. Sabemos que a TV Coxa Prime é do clube, e certamente o Ademir Alcântara deve ser pago por ele. Mas isso não justifica que não seja franco e diga os erros grosseiros que vê. Se ele pensa que com essa conduta estaria ajudando ao Coritiba, está muito enganado, o pior cego é aquele que não quer ver.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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