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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Teimosia.

Costumamos manter posturas iguais na vida e o fazemos por convicção de que são acertadas. Mas se com o passar do tempo sentirmos que nossas posturas não são adequadas e até inconveniente para outros, se as mantivermos isso será nada mais do que teimosia.

É o que vejo no Coritiba na relação Morínigo e Robinho.

Não é possível que o nosso treinador ainda não tenha visto que o Robinho quase nada – ou nada mesmo, como ontem – produz. Se arrasta em campo, parece não ter forças nem para cobrar um escanteio como vimos no jogo contra o Atlético-GO. Não tem condições físicas e, em decorrência disso, não tem condições técnicas.

Incompreensível a insistência, que parece ser nada mais do que teimosia. Se o Tony Anderson não está ainda em condições de jogar, duvido que o Regis ou o jovem Biel, ou ainda o Galarza possam ser piores do que o Robinho. Pelo menos melhores condições físicas devem ter.

Como contra fatos se diz que não há argumentos, vamos a alguns dados exemplificativos:

-Vitória do Coritiba contra o Goiás, a nossa melhor apresentação no campeonato: Robinho não jogou.

- Derrota para o Santos: Robinho começou jogando.

-Derrota para o Avaí: Robinho começou jogando.

- Vitória contra o América-MG: atuação do time caiu após a entrada do Robinho, quando tomamos "sufoco" de um time que tinha um jogador a menos.

-Derrota para o Atlético-GO: Robinho jogou quase todo o tempo.

E ontem a teimosia do Morínigo também se sentiu no desenrolar do jogo.

Se o Mateus Alexandre (que um dia joga bem e no outro mal) estava fracassando, sendo o autor da perda de bola que gerou o primeiro gol do Atlético-MG, como entender a manutenção do Warley no banco de reservas não fazendo a substituição no intervalo?

Igualmente com o Egídio – que também tem momentos maravilhosos aliados a outros péssimos – por cujo lado o ataque do adversário infernizava a nossa defesa. Biro, que mesmo que não seja “nenhuma Brastemp”, não teria sido mais útil desde o início da segunda etapa?

Não posso deixar de registrar uma palavra sobre o baixo rendimento do Igor Paixão. Claro que todos jogadores têm um dia ou outro de jornada ruim, por melhores que sejam, mas ele, que já foi relativamente mal contra o Avaí, ontem teve uma performance muito abaixo do seu potencial. Espero que o brilho dos futuros Euros não tenha mexido com a sua mente. Acredito que se tiver um bom conselheiro que coloque os seus pés no chão, logo voltará ao futebol que vinha nos encantando.

E o Andrey? Como esteve mal ontem. Também espero que tenha sido o seu dia fora da curva, mas ficou devendo muito.

Preparemo-nos para enfrentar um adversário muito difícil, o Botafogo, que não sem razão está entre os primeiros colocados, ocasião em que teremos que testar uma nova zaga, uma incógnita. Espero que até lá o Tony Anderson tenha condições de jogo e que o nosso treinador, competente, mas erra quando é teimoso, veja os atletas que não têm condições de iniciar jogando. E se somos mesmo um time caseiro como o campeonato até agora mostrou, vencer aos cariocas tornou-se obrigação. Se voltarmos a jogar com em alguns jogos anteriores, temos plenas condições de superar o alvinegro carioca e alcançar recuperação. Confiemos.

Será que desta vez teremos uma carta do Renê Simões para a torcida?

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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