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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Terra arrasada.



O que dizer de um Coritiba que fica em nono lugar em um campeonato disputado por doze clubes? A segunda vez na história que dá um vexame assim – em 1988 ficou em décimo primeiro lugar.

O que dizer de um time que em um campeonato de baixo nível, como está sendo o estadual, venceu apenas quatro jogos e perdeu cinco?

Como explicar para a torcida que a esperança que tivemos no início deste ano está se desvanecendo na primeira disputa?

O que esperar desse time na Copa do Brasil e na série B que logo se inicia, se até pelo modestíssimo Rio Branco de Paranaguá fomos derrotados? E merecidamente, diga-se.

Como acreditar que esse time ainda possa nos dar alguma alegria? Não vou analisar as apresentações dos jogadores na partida de hoje, todos muito mal, mas apenas referir que se o Rafinha se destaca no time é porque em terra de cego quem tem um olho é rei. Mas outro dia falo sobre isso.

E como entender que o planejamento do Coritiba preveja composição por um diretor-geral, sete diretores e vinte e sete coordenadores – muito cacique para pouco índio – que deveriam ter sabido fazer contratações com os métodos científicos tão referidos pelo presidente Follador?

E o presidente Follador, a quem muito respeito e admiro, sem que com isso fique sem isenção para apontar o dedo e cobrar quando é necessário como agora, está incorrendo no mesmo erro do seu malfadado antecessor, qual seja o de confiar a administração do futebol para um profissional contratado que, por melhor currículo que possa ter, não tem compromisso com o clube e a sua história e não soube montar um bom time. (Sabemos todos das dificuldades financeiras do clube, que se sucedem há anos, mas um bom diretor de futebol deve ter “olho” para descobrir promessas contratáveis sem gastar muito). Em uma moderna administração de uma entidade média ou grande delegar é necessário, mas sem com isso perder o controle e ter a palavra final.

Espero que a direção, em especial o presidente, venha a público mostrar o que pretende fazer – em curtíssimo prazo, pois a série B está a poucos dias – para nos dar algum alento. Que não seja esse momento a terra arrasada a que se referiu o presidente na campanha.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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