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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Torcendo para o Alef Manga.

O assunto do momento, que supera até o noticiário do início de redenção do time, é a denúncia oferecida pelo MP de Goiás contra o Alef Manga em razão da participação no esquema de fraude em apostas.

Há um debate nas redes sociais, onde, enquanto uns querem que ele jogue, por alegadamente indispensável, até que seja definitivamente condenado, outros entendem que deve ser desde logo afastado pois os elementos apurados pelo Ministério Público são eloquentes.

Estou com esses últimos e já havia escrito aqui que o que se tinha de fortes indícios justificavam que o indigitado Manga fosse afastado desde logo. Veja aqui

O argumento de alguns quanto a ele ser indispensável no momento é raso e pequeno. Primeiro porque não é. Depois porque o Coritiba é uma instituição grandiosa e centenária, infinitamente maior do que qualquer atleta e não pode se sujeitar a ser complacente com o ato criminoso em nome de uma possibilidade imediata de resultados em campo.

O princípio da presunção de inocência, eu já disse na coluna referida, não significa que ninguém pode ser cautelarmente afastado ou punido enquanto aguarda o julgamento, O administrador público que é acusado de corrupção pode ser judicialmente afastado liminarmente para evitar que continue as práticas. O acusado de crime que tenta fugir ou influenciar testemunhas – para ficar em dois exemplos – pode ser preso preventivamente até ser julgado.

Um empresário que apure que um empregado está furtando mercadorias não precisa aguardar que a polícia conclua o inquérito e que haja denúncia e condenação para só então demitir aquele. Simples assim.

Eu me espanto quando leio alguns afirmando que há assassinos soltos e políticos acusados de corrupção sem punição e por isso as atitudes do fraudador Manga poderiam ser toleradas. Nem gasto espaço para contestar tal argumento, tão fraco que é.

Bem, mas e o título da coluna? Aqui uma modesta lembrança de gramática. Ninguém torce “para” e sim “pelo” quando se refere a um nome próprio. Quando se torce por uma ação, aí sim, usa-se “para”.

Então, estou torcendo “para” que o Alef Manga seja afastado do Coritiba.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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