Torneio do Povo x Primeira Liga
Em 1973 foi realizada a terceira edição do Torneio do Povo, com os seis times de maior torcida dos estados do RGS, Paraná, SP, RJ, MG e BA, ou seja, Internacional, Coritiba, Corinthians, Flamengo, Atlético-MG e Bahia, alguns com craques da seleção brasileira como era o caso de Rivelino, Paulo César Cajú e Zico.
O torneio se desenvolveu em duas fases, na primeira dela todos jogando contra todos em mando de jogos alternados. Vencemos ao Atlético-MG e Flamengo e empatamos com os paulistas e gaúchos, sofrendo uma derrota para o Bahia. Oito pontos ganhos em doze disputados. Na segunda fase restaram Coritiba, Bahia, Corinthians e Flamengo, novamente jogando todos contra todos. Vencemos ao Corinthians e ao Flamengo, empatando a final com o Bahia em jogo que ficou marcado pela garra dos nossos jogadores, uma vez que o árbitro foi no mínimo rigoroso em excesso com o Coritiba, expulsando Hidalgo e Cláudio ainda aos 16 minutos da segunda etapa. Não só enfrentamos os baianos de igual para igual como mudamos o resultado de um jogo que perdíamos e com o empate nos sagramos campeões. Na fase final, sete pontos ganhos em nove disputados.
Agora, formada a Primeira Liga como uma tentativa de autonomia dos clubes diante da CBF, nela foram incluídas, além dos dois maiores clube do RGS, PR, SP, RJ e MG, as equipes do Cricíuma, Figueirense, Avaí e América-MG, dentre os quais somente o Figueirense se encontra na primeira divisão. Não houve jogos de todos contra todos, acontecendo em uma primeira fase somente dentro dos grupos de quatro clubes, tendo o Fluminense vencido duas partidas, dentre elas uma contra o Cricíuma, este também um dos derrotados pelo Atlético PR. Na fase final, em duas séries eliminatórias, o Atlético PR venceu ao Flamengo enquanto o Fluminense empatou com o Internacional (venceu nos pênaltis). Na final, o que todos já sabem, deu Fluminense que venceu ao nosso maior rival.
É o que basta para ver que a conquista do Torneio do Povo foi muito mais meritória. Veio depois de quatro vitórias e dois empates – todos contra times da primeira divisão – somando o Coritiba quinze pontos e jogando contra equipes de primeira linha, enquanto o Fluminense agora foi campeão com doze pontos, dois deles obtidos em cobrança de pênaltis e três contra um time da segunda divisão.
O Fluminense está de parabéns pela conquista e é justo que a sua torcida comemore. Mas não queira dizer que o feito se equipara à conquista do Torneio do Povo de 1973, que foi muito mais importante e qualificado. Os números que mostrei amparam a minha conclusão.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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