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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Ubiquidade e outros temas

Ubiquidade:

Ubiquidade é a capacidade de se estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Ronaldinho Gaúcho sem dúvida tem o dom da ubiquidade. Ontem esteve no Paraná, mas conheceu o Maranhão.


Maranhão:

Aproveitando o “gancho” do tópico anterior, que excelente partida fez o Maranhão! Já o vi jogar de modo apenas regular e às vezes até mal ou muito mal. Mas com o que mostrou ontem uma conclusão é certa, sabe jogar bem e não se intimida com equipes e muito menos jogadores midiáticos. O gol que fez, para alguns com má vontade poderia ter sido fruto de acaso ou sorte. Não penso assim. Somente quem está confiante e arrisca consegue fazer um gol daqueles. Tivesse sido tomado por alguma consciência de limitação, ou pensar que chutar em gol “não é a sua”, não teria tentado e, consequentemente, não teria marcado. Foi o craque do jogo e, pelo que vi em compactos de outros jogos, o da rodada. Pelo que mostrou ontem, merece ser mantido no time, esperando-se que demonstre em outros jogos que é o verdadeiro Maranhão é o de ontem.


Efeito Davi:

Não digo novidade, pois aqui mesmo nos Coxanautas colegas colunistas já fizeram a afirmação. A mudança tática e técnica do Coritiba nos últimos jogos muito se deve ao Davi. A partir de seu retorno a equipe retomou a velocidade que mostrou na primeira parte do ano, especialmente quando recupera a bola e parte em contra-ataque. A volta do Davi também foi causa para a nítida melhora no futebol do Marcos Aurélio. Aliás, os dois mais o infernal Rafinha, em muitos momentos deixaram quase que desesperados os volantes e zagueiros do midiático Flamengo.


Substituições:

Não entendi bem as saídas do Marcos Aurélio e do Davi. O Leonardo, ao que pareceu momentos antes de ser substituído, sentiu algo. Como assisti ao jogo pela repetidora local da Globo – não porque a prefira em relação ao PPV, mas porque a imagem era em HD – e a transmissão mais se preocupava com o Flamengo, não houve informação sobre se aqueles dois saíram por cansaço ou lesão, uma vez que por questões técnica foi evidente que não era o caso. Mas tudo bem, as substituições não trouxeram prejuízo, salvo no tocante à entrada do Leandro Donizete que, penso, consistiu em erro de avaliação do técnico. Se o Leandro Donizete estava “pendurado” com dois cartões amarelos e o jogo estava sob controle, com o Coritiba mantendo a bola do meio para a frente, não era o caso de colocá-lo em campo por alguns minutos pois, pelas suas características, sempre é possível que seja advertido, como foi e constantemente é. Com a sua suspensão automática, se até quinta-feira acontecer algum imprevisto com Léo Gago ou Willian, ou se durante o jogo contra o Atlético original houver necessidade de reforçar a marcação, o técnico não disporá dele, muito mais qualificado do que o Gil.


A esperança:

Muito antes de se falar em autoajuda e seus livros, nos anos 1960 fez sucesso um autor norte-americano de nome Dale Garnegie, que vendeu milhões de edições pelo mundo (os da minha geração talvez tenham lido algo dele, os mais jovens perguntem aos seus pais), Pois ele afirmava que: “Muitas das coisas mais importantes do mundo foram conseguidas por pessoas que continuaram tentando quando parecia não haver mais nenhuma esperança de sucesso.”.
As possibilidades de nos classificarmos para a Copa Libertadores parecem pequenas? Pois menores serão se nela não acreditarmos. Se na primeira parte do ano conseguimos vinte e quatro vitórias consecutivas, se o Figueirense venceu as suas últimas seis partidas e se estamos em franca ascenção técnica, o sonho é possível e não podemos desistir dele enquanto os números ainda o permitirem.


O comentário do comentarista:

O comentário do leitor da última coluna, sobre a atuação do Everto Costa, é o do jcesar.coxa: "Não existe o jogador perfeito, mesmo um Messi, Ronaldinho Gaúcho ou um Neymar tem seus maus dias, é verdade que uns menos e outros mais dias negativos para o futebol. O Leandro Donizete era um jogador regular, vamos dizer sempre com uma nota 8, mas apos a última contusão ainda não rendeu o esperado. O Everton Costa não poderia desaprender tudo o que jogava no Caxias..ontem nota 10!"

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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