Um alento e Petraglia.
Os vídeos com os ditos melhores momentos nem sempre são base suficiente para analisar um jogo e o desempenho de um time, mas do pouco que pude ver, e especialmente pelo que li e ouvi de amigos, finalmente o Coritiba teria jogado bem, não um primor, mas muito acima do que vinha apresentando de modo a nos deixar temerosos pelo futuro do time.
Assim como uma ou duas más partidas nem sempre são suficientes para afirmar que o time é ruim (no nosso caso foram muitas partidas), uma só é um alento de esperança, mas nem por isso suficiente para nos acomodarmos e menos ainda ter euforia. Vamos com confiança, mas com calma.
Saber que Alisson Farias foi bem, assim como a nova dupla de zaga, é positivo. Mas saber também que João Paulo e Simião fizeram uma boa partida parece mais um acidente de percurso, pois sabemos da falta de qualidade técnica de ambos.
Mas o que importa é que o time pareceu ajustado e mais uma vez vamos tentar dar um crédito de confiança. Não sem ficar com “um olho no peixe e outro no gato”.
A provocação do Petraglia.
Pelo mesmo motivo que expus antes, não tive oportunidade de comentar a provocação do chefe do Atlético-Pr (ou dono, conforme afirma um ilustre cronista da praça), no sentido de que o Coritiba se encaminha para ter apenas existência e não mais grandeza, comparando o nosso futuro com o do América-RJ. Abro um parêntese: Claro que ele esquece das impagáveis dívidas do seu clube, notadamente perante a Agência de Fomento do Estado, já na casa de 500 milhões de reais.
Da sua fala extraí as seguintes passagens: O Coritiba vai existir. O América do Rio existe. Não acabam. Mas a que nível vai existir? Essa é a pergunta... O Coritiba deitou em berço esplêndido, era o mais rico, único campeão brasileiro, com estádio e achou que o que estávamos fazendo não atrapalharia a vida dele. Ficaram para trás, né? Então agora vai existir, mas a que nível?
Pois embora tenhamos forte antipatia pelo referido “dono” do rival, ele não deixa de ter alguma razão.Realmente não só paramos no tempo como retrocedemos. E infelizmente diretorias se sucedem e nenhuma visão de grandeza apresentam. Quando o vice-presidente Alceni Guerra falou que um dos caminhos para nós seria um estádio novo – ou talvez uma reforma radical do velho Couto - muitos, a maioria talvez, saíram a gritar que o que precisávamos era de time, e não de melhoria no patrimônio. Pois hoje não temos nem time e nem melhoria no patrimônio (salvo o setor Pro Tork), sem contar um decréscimo acentuado do quadro associativo, e estamos no grupo inferior dos clubes brasileiros.
Deveríamos aceitar a provocação para uma reflexão sobre a visão estreita que nos orienta há muito.
Que Coritiba queremos? Um clube que conquiste aqui e ali um título estadual e que quando na primeira divisão se satisfaça em nela permanecer, ou que procure ter grandeza e projete sonhos altos? O que temos visto nos últimos quase trinta anos – exceção feita a 1998, 2003, 2011 e 2012 – é um quadro que responde à primeira parte da pergunta. Quem sabe, assim como o rival renasceu a partir de uma goleada histórica que lhes aplicamos, aproveitamos a provocação e a inexperiente diretoria busque apoio em nomes de peso do clube (veja aqui), para finalmente ocorrer uma refundação?
O trem da história está passando. Se o Coritiba não se recriar, com coragem e audácia responsáveis, realmente o nosso futuro não é nada auspicioso.Infelizmente o presente assim indica e divisamos nosso futuro com a luneta apontada ao contrário.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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