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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Um homem que sabia ouvir.

O nosso presidente Follador se foi sem conseguir realizar o seu sonho de ver o Coritiba novamente vencedor, grande e respeitado, mas certamente deixou a semente do seu entusiasmo para os que continuarão a trabalhar pelo clube.

Muito está sendo dito e escrito sobre o passamento do nosso líder.O nosso editorial foi muito feliz e pouco resta a completar. Foi empresário bem sucedido, um dos maiores especialistas do Brasil na área previdenciária, Secretário de Estado e, o que tenho certeza muito o orgulhava, jogador do seu time do coração na década de 1970. Assumiu a direção do Coritiba, consagrado por uma votação inigualável, com sonhos de grandeza e certo que de início muito tinha muito a fazer para tentar consertar a herança negativa que recebeu. As coisas aos poucos estavam parecendo ser postas em ordem, embora de início a equipe não correspondesse, fracassando até no campeonato estadual. Mas por uma dessas coisas do destino, que fogem à nossa compreensão, em campo o time começou a se ajeitar coincidentemente quando o presidente adoeceu, conquistando a Copa do Brasil sub-20 e estando em segundo lugar no campeonato brasileiro.

Não nos conhecemos pessoalmente. Fui aproximado a ele pelo meu irmão, José Luiz, seu amigo, em agosto do ano passado, através do WhatsApp. A partir daí com alguma regularidade, não muita, mas nos momentos certos, passamos a interagir discutindo o Coritiba e o seu futuro. Um orgulho que tenho, como modesto escriba, é o de ter ouvido dele certa vez que religiosamente lia os meus textos, assim como os de outros confrades do Coxanautas, o qual muito admirava a respeitava.

Nessas conversas captei nele uma qualidade, dentre as tantas que já foram ditas, qual seja a de saber ouvir. Era o comandante, mas como todos os bons líderes sabia ouvir e ponderar. A sabedoria não se conquista e não se mantém sem ouvir os outros. Essa sabedoria está retratada em vídeo que me enviou há poucos minutos o amigo leitor Alvaro Rosa, onde o Follador diz que na vida tudo é efêmero, tudo passa, e o que fica é somente a lembrança que deixamos no coração e mentes das pessoas. Palavras sábias e infelizmente premonitórias. A vida passou, mas a sua lembrança ficará enraizada nos nossos corações e mentes.

Vá em paz, presidente Follador. Tenha certeza de que nós, aqui na planície, tentaremos ajudar para que o seu sonho se concretize e o Coritiba volte ao patamar que um dia ocupou, conquistador de títulos e respeitado nacionalmente.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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