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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Um paradoxo.



A despeito de uma esperança que pareceu ter vindo na última sexta-feira, o Coritiba voltou a não se apresentar bem e a nos preocupar.

Desta vez, as falhas maiores foram as da defesa, na qual Alex Alves se mostrou muito mal, não sendo compreensível que, afirmando todos que a dupla de zaga do jogo contra o Vila Nova teria sido destaque, ele recuperasse a posição tão somente pelo nome mais forte. De ressaltar que até ontem o time do Londrina só havia marcado quatro gols no campeonato, ou seja, permitimos que a sua artilharia quase dobrasse o número em uma só partida.

Na ala esquerda, mais uma má partida do Abner, que se mostra pesado para uma função que exige velocidade.

No ataque, Alysson Farias mostrou que tem futebol, mas precisa com urgência ser alertado de que joga em equipe, pois tenta jogadas individuais exageradas e inúteis, ocasionando bolas perdidas que com constância permitem contra-ataques. Pablo desta vez me pareceu produtivo, mantendo uma boa postura tática, mas realmente tem dificuldades para concluir. E o Bruno Moraes dispensaria qualquer comentário, fraquíssimo e pelo que mostrou não dá para acreditar que foi artilheiro em outras equipes.

Mas um ponto me chamou muito a atenção ontem, qual seja a queda de rendimento do time desde o momento em que o João Paulo, lesionado, deixou o campo.

João Paulo é sabidamente um jogador de fraca qualificação técnica, embora muito esforçado (mas essa condição por si só não basta). Joga muito mais usando passes laterais, procura quem está mais próximo para entregar a bola, ainda que seja um jogador adversário. Destacou-se pelo gol que fez contra o Vila Nova e ontem sem dúvida o time caiu de produção com a sua saída, até porque dessa vez o Vinicius Kiss não foi bem.

Mas aí é que está o paradoxo (no conceito de aparente falta de nexo ou de lógica; contradição). Se o João Paulo, limitado como é, está se saindo bem, não seria por que o restante do time está no mesmo nível seu ou até abaixo? É um jogador com trinta e três anos de idade e se até há poucos dias se mostrava sempre sem qualificação técnica, não seria de uma hora para a outra que uma inspiração pudesse torná-lo bom jogador.

Enfim, se a apresentação de ontem trouxe de volta as nossas preocupações, saber que o João Paulo é que deu um pouco de estabilidade à equipe na primeira etapa é tanto ou mais preocupante.
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Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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