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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Uma das vagas era mesmo nossa.



Em junho último, depois da primeira rodada do campeonato, os dirigentes coritibanos Juarez Moraes e Silva e Vilson Ribeiro de Andrade disseram, em entrevistas distintas, que uma das vagas para o acesso à série A era do Coritiba e que as outras três seriam disputadas entre outros dezenove clubes.

Na ocasião eu, sem a confiança e o otimismo de ambos, escrevei coluna criticando a postura que, no meu entender, acirraria a vontade dos adversários contra nós e poderia nos expor a deboche caso nos saíssemos mal. Estava escaldado pelas gestões dos últimos seis anos – embora desde já confiasse no grupo que assumiu o Coritiba neste ano – e pelos reflexos da má campanha no campeonato estadual, circunstâncias que influenciaram a minha manifestação.

Pois agora, como os números de hoje mostram, eu estava errado e o presidente Juarez e o ex-presidente Vilson certos, muito provavelmente servindo as declarações deles como motivação dentro do vestiário, razão pela qual peço a desculpas a ambos por ter me mostrado inseguro diante da meta que traçaram, ao tempo em que os cumprimento, assim como a todos os demais integrantes da direção, comissão técnica, atletas e nós, torcedores, que ontem mais uma vez demonstramos o que é o verdadeiro Coritiba. Meu preito de agradecimento se estende ao inesquecível amigo Renato Follador, comandante maior da revolução que está acontecendo no Coritiba através dos seus pares de chapa que souberam incorporar aquele espírito vencedor que o saudoso presidente inoculou em todos nós.

Ainda está na nossa mira o título, que não é para colocar uma estrelinha na camisa como um vizinho fez, mas representa uma importante conquista e especialmente a classificação para a terceira fase da próxima Copa do Brasil.

Mas se não der, não será nenhuma derrota. O importante é que passaremos a disputar o maior campeonato de futebol do mundo. Com calma, depois do rescaldo pela conquista, vamos tratar de qualificar nosso time. Mas isso é conversa para outra hora. Agora é vibrar com a conquista.

Como diz o nosso hino:
Lá no alto de tantas glórias
Brilhou, brilhou um novo sol





Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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