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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Uma vaga é nossa?

Nos últimos dias dois dirigentes do Coritiba, Juarez Moraes e Silva e Vilson Ribeiro de Andrade, lançaram um dito motivacional, segundo o qual dezenove clubes do campeonato da série B irão disputar três vagas, pois uma já é nossa.

Acredito que a intenção dos dirigentes foi a de dar um alento à torcida e mostrar ao elenco que tem confiança nele, mas penso que não foi uma declaração prudente. É válida para o âmbito interno, dos jogadores, comissões e dirigentes, mas não de modo público, o que nos expõe aos adversários e até ao deboche se a previsão não se confirmar.

Embora a vitória contra o Avaí, não podemos ter segurança de que o Coritiba está mesmo em ascensão, até porque os últimos resultados no campeonato estadual foram vexatórios. Temos que confiar que haja melhora com novas contratações e aproveitamento paulatino e seguro da base, mas é muito cedo para dizer com tal ênfase que uma das vagas já e nossa. No vestiário tudo bem que assim se fale, pois os atletas têm que ser fortemente motivados, mas a torcida, tão sofrida nos últimos anos, prefere esperar que o time mostre ser confiável.

Depois, o que pensarão os nossos adversários? Não se sentirão menosprezados e e viriam para os jogos contra nós “com a faca na boca”, para derrotar um clube que, na ótica dele, está sendo arrogante? Temo muito que isso aconteça.

Em muitas coisas na vida temos que agir com prudência, especialmente no falar.

E cautela, sabendo-se usar, é caminho melhor para o sucesso. Quem lembra do nosso técnico Ênio Andrade, campeão brasileiro de 1985, que questionado a cada avanço do Coritiba na disputa respondia “ainda não ganhamos nada”? E assim, de degrau em degrau, em silêncio que foi acompanhado pela diretoria, nos bastidores motivava o time, mas externamente fazia com que os adversários não se preocupassem muito conosco.

Prudência, quando não esteja aliada ao medo, é sempre aconselhável. Motivação é necessária em qualquer time de futebol, mas deve ser bem usada, no âmbito e tempo certo. Torço ardentemente para que a afirmação dos dirigentes se confirme, mas vamos devagar, passo a passo. Com confiança, mas com previdência. Ainda não ganhamos nada, como dizia com sabedoria o mestre Ênio Andrade.

* Desejo ao presidente Follador pronta recuperação. Estamos na torcida.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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