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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Vencendo mas não convencendo.

Ontem uma vitória magra, de um time que a rigor só deu um chute a gol (e felizmente marcou), contra um Vitória que, apesar de ser uma equipe limitada, teve muito mais posse de bola e obrigou o Wilson a duas defesas difíceis, com a trave nos salvando de outra.

Muitos usarão o chavão “o importante é vencer”, e a rigor não dá para discordar de quem pensa assim. Com o time atual, parecendo sem ambição, respeitando demais os adversários e carente de técnica, leveza, velocidade e esquema tático visível, não daria para querer mais mesmo.

Continuamos a ver a bola rodar e ser levada para os lados ou para trás até chegar nos pés do Wilson que tenta um lançamento longo. Continuamos com alguns jogadores “pesados” e sem velocidade, requisito fundamental para alcançar o gol, tanto que na nossa única jogada veloz tivemos sucesso. A marcação que o time faz também é insuficiente, para tal talvez influindo a condição de veterano do Willian Farias. Continuamos com um elenco que longe está de ser o dos sonhos.

Estamos ganhando, mas será sempre assim? Os adversários que até agora batemos – Avaí, Vila Nova e Vitória – estão entre os últimos na classificação no momento. Claro, não há adversário que vença ou seja derrotado por antecipação, cada jogo é um jogo, mas esse é um indicativo que nos deixa com temor sobre como será quando enfrentarmos equipes melhores.

É certo que a série B nem sempre é disputada com a melhor técnica, muitas vezes mais valendo a garra e a conscientização dos limites do time. Mas sempre é melhor vencer e convencer. Um jogo como o de ontem, fosse com público nos estádios, certamente levaria a torcida em alguns momentos vaiar, ainda que no final saísse satisfeita com a vitória. O Coritiba não está convencendo e tem deixado a torcida “com o coração na boca”.

O treinador não deixa de ter razão quando diz que é melhor estar vencendo enquanto o time ainda não se firma e assim ir corrigindo a equipe do que fazê-lo nas derrotas. Mas essa é uma afirmação que mostra um tanto de conformismo e que pode se confirmar ou não. Com o elenco que temos, sem que seja acrescido por algum atleta que ainda não participou da equipe para tentar melhorá-la e sem que mostre um padrão mínimo de jogo eficaz e em busca do gol, parece difícil.

Enfim, se o importante é vencer e é isso que todos nós queremos, que o time vá vencendo até chegar na tão sonhada classificação. Mas seria muito melhor se vencesse e nos convencesse de que tem méritos para dar esperança concreta.

Continuamos solidários e na torcida pela recuperação do nosso presidente Renato Follador.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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