Vi com reservas,
O título da coluna encerra uma aparente dubiedade, mas é proposital. Eu vi os reservas jogando e os vi com reservas, agora usando a expressão no sentido de cautela e prudência.
Foi um jogo de baixíssimo nível técnico, para o qual concorreu muito mais o Coritiba do que o Operário, ainda que este não seja nada qualificado.
Não tivemos nenhuma chance de gol nos noventa e tantos minutos de jogo e não vi nenhuma amostra de expressão tática no time.
Sei que tenho um juízo crítico muito forte, certamente causado por ter vivido um grande time do Coritiba. Sei que não se deve “queimar” os jogadores oriundos da base, há que ter paciência com eles (o jogador que hoje criticamos amanhã poderá estar brilhando), mas nem por isso se deve deixar de mostrar a opinião do momento.
Começo pelo goleiro Arthur, que em nenhum jogo mostrou ser merecedor de confiança. Não é um atleta franzino, mas parece que tem os braços curtos, o que se viu nos seus sucessivos erros em bolas cruzadas na área desde que passou a jogar. Hoje fez uma boa defesa na primeira etapa, mas depois, além do erro que gerou o gol, quase cometeu outra falha por “bater roupa”. Não é goleiro para ser titular e acho que não exagero afirmando que nem para reserva imediato serve.
Os alas que jogaram hoje também não foram bem, mas como o Guilherme Biro já mostrou qualidade em outros jogos e ao Igor talvez seja de se dar mais algumas oportunidades, ainda que a amostra de hoje tenha sido ruim.
A zaga, que foi a titular, se saiu bem, não tendo responsabilidade direta no gol que sofremos.
Na meia cancha o Luiz Henrique talvez tenha tido a sua pior apresentação, foi bisonho. Os Matheus (esse nome parece não dar certo no Coritiba) também não foram nada bem, sendo o Sales o mesmo burocrata de sempre, pisa na bola, olha em volta e no mais das vezes a atrasa ou passa para o lado. A entrada do Robinho nada somou.
Por fim, o ataque praticamente inexistiu, só melhorando um pouco quando entrou o Igor Paixão.
Estou sendo muito duro e exigente? Entendam e perdoem, mas estou procurando ser honesto comigo mesmo. Se nos três primeiros jogos fomos compreensivos, convictos de que o time está sendo montado e ajustado e é necessária alguma paciência, o gosto deixado hoje foi de preocupação. Ainda espero que em pouco tempo possa escrever em sentido bem diverso do de hoje. Terça-feira será um dos tantos nós górdios que teremos que desatar.
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E ainda vi com reservas a transmissão pela TV Coxa Prime, cujo sinal constantemente travava (não era deficiência de minha rede de internet, pois para outros também aconteceu). Explicou-me um dirigente que a responsabilidade seria da NSports, contratada pela gestão anterior por dois anos. Talvez explique, mas o Coritiba deve exigir que corrija as falhas.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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