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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Vitórias e vitórias.

No futebol não há vitória ruim. É uma afirmação, reconheço, um tanto acaciana e até pueril.

Quem acompanha o futebol sabe muito bem que há vitórias que entram no rol das espetaculares e inesquecíveis como foi o penúltimo atletiba e os 6 x 0 contra o Palmeiras em 2011, mas há outras que nos deixam apenas com um sentimento de alívio, por talvez imerecidas, não nos animando a ter perspectivas melhores. Algumas, porém, nos satisfazem por ver o time jogando bem, merecendo o resultado e especialmente nos deixando com esperança de que a equipe está bem ajustada e se encaminhando para melhores dias.

O jogo de ontem tenho que se enquadra na última categoria. Foi uma vitória suada, difícil, mas incontestável. Jogamos bem, muito melhor do que o adversário e, não fosse o excelente goleiro do Vitória, teríamos alcançado um placar maior.

O resultado de 1 x 0, para quem não viu o jogo, pode indicar que teria sido uma partida parelha, onde um detalhe resolveu, mas não foi assim. O Coritiba começou um pouco vacilante, mas aos poucos foi se ajustando e passando a dominar o adversário. Não fossem alguns centímetros que levaram a bola contra a trave já teria aberto o placar ainda na primeira etapa. No segundo tempo o time sobrou em campo, com consistente atuação coletiva e boas atuações individuais – notadamente Galdezani, Willian Mateus e Henrique Almeida – só não fazendo um placar dilatado pela noite muito feliz do goleiro adversário. E as substituições do Pachequinho foram acertadas, ou ao menos mostrou que tem estrela, uma vez que o gol nasceu e foi criado exatamente por dois atletas que entraram a partir da metade da segunda etapa.

Ainda que seja cedo para se entusiasmar muito, ainda mais quem acompanha o futebol há décadas, tudo indica que neste ano temos perspectivas de lutar por um lugar de destaque no campeonato e ao final figurar, quem sabe, dentre os classificados para a Copa Libertadores da América.

Claro,temos algumas deficiências a serem superadas. Precisamos de mais um zagueiro que esteja em condições de disputar a titularidade – espero que não seja o Ernando, cujas referências aqui em Porto Alegre não são as melhores. Com uma contratação aqui e ali, bem pensada, poderemos completar um bom elenco, esperando que o Alecsandro, depois de diminuir a barriga que mostrou na sua infeliz estreia, possa se somar aos atuais atacantes (talvez o setor melhor composto), e que o ineficiente e contraproducente João Paulo não volte a jogar para evitar os tantos contra-ataques que gosta de oferecer ao adversário. (O futebol tem os seus desígnios, e parece que o fato de o time melhorar desde que o João Paulo se afastou não é simples coincidência).


Enfim, não podemos nos esquecer de que o campeonato brasileiro é disputadíssimo e nem de 2013, quando o Coritiba teve um início entusiasmante, figurando várias rodadas como líder e por um bom tempo invicto, mas a partir de determinado momento degringolou e só restou como meta escapar do rebaixamento. Se o time mantiver a qualidade que mostrou nos três primeiros jogos e se comportar pensando que cada partida é a mais importante, enquanto por seu lado a direção do futebol souber bem contratar para as poucas carências, temos que confiar que 2017 será um ano melhor.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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