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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Zago tinha razão



O ex-treinador Zago, que não deixou saudade, saiu do Coritiba atirando merda no ventilador, dizendo que o nosso plantel era muito fraco e que os jogadores pareciam “umas ovelhinhas” pelo modo como não reagiam em campo.

Ele foi muito criticado – por mim inclusive – não pelo conteúdo da fala, mas pelo momento e local que usou, pois deveria ter feito o comentário de modo intramuros, no vestiário e para a direção.

Mas sabíamos que ele tinha razão. Em coluna anterior, após a aparente reação do time sob o comando do Koloski, observei que a fala do Zago teve o seu aspecto positivo, pois o time estava melhor, tendo obtido nove pontos em doze disputados.

Qual o quê. No jogo contra o Bragantino e ontem, na segunda etapa contra o Corinthians, o time voltou a ser um bando de ovelhinhas, condição agravada pela má qualidade técnica da maioria. Assustaram-se com a pressão sofrida no início da segunda etapa e em cinco minutos já estávamos sofrendo a virada do placar a partir de um erro bisonho do Victor Luís cometido sem a menor seriedade dentro da nossa área.

Sem forças para reagir ainda tivemos uma chance para empatar, mas o Robson, como é contumaz em sua carreira, durante a qual se notabilizou mais pelos gols perdidos do que os poucos marcados, não soube finalizar.

Não temos plantel, o qual só conseguiu vitórias com superação, mas esta desapareceu após o jogo contra o Fluminense. As boas atuações do Henrique e do Robson em um jogo foram pontos fora da curva. O Henrique já deveria ter sido afastado após a falha gritante no atletiba, já foi um bom jogador, mas infelizmente não tem mais condições. O Robson, que por alguns é tido como craque por ser esforçado – chegou a merecer matéria com foto em destaque – se limita a essa característica, e ontem nem isso foi.

E por aí poderia prosseguir, tantos que são os inabilitados, aos quais foram somados às estranhas contratações do período pós-SAF.

A propósito, uma palavra sobre essa última.

Fui um entusiasta da modificação do status do clube – continuar como está era falência certa - e continuo confiando que as coisas irão mudar, certo de que más administrações de dez anos não se corrigem em um mês ou dois. Mas estou com alguma preocupação por ver a qualidade (?) dos jogadores contratados no período pós-SAF e com a iminente negociação do Tiago Dombroski, a qual parece mostrar que há objetivo de lucro imediato, independente de buscar-se uma boa campanha. Espero estar errado, só o tempo dirá.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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