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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Zolpiden

A crônica esportiva e os torcedores dizem, com razão, que o Coritiba é “time de pijama”, ou seja, aquele que só se dá bem no conforto de sua casa, tanto que neste campeonato ainda não conquistou nenhuma vitória quando o mando de campo era do adversário.

Como entender a bela exibição do time contra o América, até agora a melhor equipe da segunda divisão, e poucos dias depois o vexame de ontem? Como entender que Frizzo, Vini Paulista e Ronier fizeram uma partida de encher os olhos contra o “coelho” mineiro e poucos dias depois protagonizaram uma exibição de pernas-de-pau como vimos ontem? Qual é o verdadeiro Coritiba, o da semana passada ou o de ontem?

Parece que, além de só saber usar o pijama, quando sai de casa o Coritiba toma Zolpidem (para quem não sabe, um sonífero forte, que só pode ser usado ocasionalmente e sob supervisão médica), pois os jogadores se mostram atabalhoados tal como se estivessem sob efeito colateral do medicamento.

O que temos visto no Coritiba é uma instabilidade técnica e principalmente emocional. O novo técnico não pode ser responsabilizado por ontem, pois quando os jogadores individualmente estavam mal, olhou para o banco e quem viu? Robson e Wesley, entre outros, aqueles dois entrando e se mostrando piores do que os que saíram.

A janela de contratações está aí. Quero crer que o Autuori já tem nomes no bolso do colete de modo a qualificar o time e suprir as deficiências que apresenta. Do contrário, teremos mais um ano de sofrimento, pois mesmo que ganhemos todas as partidas em casa – o que é impossível – a soma dos pontos pode não ser suficiente para o time subir.

Reporto-me à minha última coluna, redigida após a brilhante vitória contra o América, quando lembrei do entusiasmo que tivemos quando Tiago Koloski assumiu o time no ano passado e a decepção que se seguiu. Vamos continuar a torcer e ter esperança, mas sempre com um pé atrás, o time não permite confiança irrestrita.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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