Catarse
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Então, cá estamos nós, Coxas Brancas, a sentir o coração ferido, novamente. É como se tivéssemos uma faca cravada no peito, com a qual nos acostumamos, mas na qual vem alguém mexer, de tempos em tempos, para enterrá-la mais fundo ainda na nossa alma. E nos vemos, de novo, com o olhar perdido, com os rostos cobertos por lágrimas, humilhados e espezinhados, como se o nosso amor pelo Coritiba fosse uma maldição a nos acompanhar para toda a eternidade.
Mas talvez possamos fazer de mais essa desgraça algo bom. Talvez consigamos reordenar nossas prioridades, e passar a dedicar mais tempo para as nossas famílias, ao invés de desperdiçá-lo com jogadores e dirigentes aventureiros, todos já com suas vidas ganhas e sem nenhum compromisso com a honra; talvez possamos dar um fim mais nobre ao dinheiro que empregamos nas anuidades de sócios do clube, doando-o para quem irá transformá-lo em alimento, não em salários de vagabundos que não honram nossa camisa e que logo estarão vestindo outra, ou que mais descansam no departamento médico do que trabalham; talvez aprendamos em não mais confiar em pessoas que são vistas como redentoras, mas cujo despreparo e incompetência sempre predominam, no final.
E digo "talvez" porque sei o quanto é difícil arrancar do peito um amor. Olho para o escudo do Coritiba, me emociono, e já me pego tentando acreditar em um recomeço ou, para ser mais fiel ao estado das coisas, em mais uma ressurreição. Mas vou lutar com todas as minhas forças para reordenar minha vida e para, enfim, dar ao Coritiba a mesma importância que ele dá a mim, como seu torcedor: nenhuma.
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Escrevi as palavras acima em 18 de novembro de 2013.
Não consegui fazer o que eu disse que tentaria. Continuei a pagar minhas anuidades de sócio, a comprar todas as camisas que o clube lançou, a usá-las quase todos os dias, a sentar na frente da televisão acreditando que algo poderia ser diferente.
Então, não me resta mais nada do que desistir de tentar desistir do Coritiba. Meu coração é verde e branco, minha alma é Coxa Branca. E isso me basta.
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mpopini@yahoo.com.br
Instagram: mpopini
Sobre o autor
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.
Sobre o blog
Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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