E aí?
Dizer o que de um “time” incapaz de armar uma jogada de perigo (a seu favor)? E do treinador desse time, igualmente incapaz de, durante o intervalo do jogo, mudar a forma do time jogar, ou a postura covarde e assustada da equipe, que se submeteu ao ímpeto londrinense, que abaixou a cabeça, que se encolheu, enfim, como se fosse o pequeno da história?
Dizer o que de um goleiro inseguro, que já provou que, igualmente ao seu antecessor, não sabe sair do gol, não tem nenhuma noção sobre o “tempo de bola”, e, em seu primeiro teste em um jogo pra valer, falha seguidas vezes?
Dizer o que de um time que, às vésperas do início do Campeonato Brasileiro, toma gol em falha coletiva da defesa, toma sufoco, toma pancada de um time da terceira divisão, e abaixa a cabeça, resignado?
Já sei. Dirão que eu o culpado foi o árbitro, que não marcou o pênalti sobre o peladeiro do Negueba, que mais parece alguém preocupado em fazer gracinhas, pra ganhar aplausos, do que um jogador que sabe que o seu objetivo principal é jogar coletivamente, e não ficar tentado jogadas de efeito ou correndo como um louco sem rumo, de um lado a outro do campo.
Então tá bom. Perdemos por causa do juiz, e não porque nosso time é fraquíssimo, não porque só temos volantes no nosso meio de campo, não porque temos outro frangueiro embaixo das traves, não porque, com um esquema desses, sem capacidade de criação alguma, fica quase impossível reverter um placar adverso.
Porém, como esse time do Londrina também é fraquíssimo, é capaz que o Coritiba até consiga reverter essa desvantagem na próxima partida. Meu medo é que, caso consiga, o que isso significará? Daremos a atenção necessária ao aviso de hoje, de que ainda não temos um time capaz de jogar o Brasileirão, ou continuaremos a ter que ouvir que, a exemplo dos últimos três anos, que quase acabaram em desgraça, estamos no caminho certo?
...
Pra quem se contenta com a nossa covardia, com o nosso status atual de time pequeno, não há porque se preocupar. Estamos dentro da nossa medíocre normalidade. Pra mim, não. Minha tolerância a essa falta de coragem, a esse conformismo com a pequenez, a esse eterno recomeçar, continuará sendo zero, ainda que isso não signifique absolutamente nada.
Não deixarei de ser sócio, nem de usar, quase que diariamente, a camisa alviverde, onde quer que eu esteja, onde quer que eu vá. Mas eu já vi o Coritiba grande, eu já me orgulhei de um time que não se apequenava, que impunha respeito a quem quer que fosse, que acostumava a sua torcida a ser exigente, e não a obrigava a ser tolerante, como hoje. Essa tolerância, que em minha opinião, é a principal responsável pelo fato de cada novo ano Coxa Branca não trazer nada que não seja insegurança, medo e frustração.
Sobre o autor
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.
Sobre o blog
Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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