Atle-Tiba
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Sou do tempo (essa é mais velha do que eu) que semana de Atle-Tiba era semana de festa. Uma aura de alegria envolvia as torcidas, e nunca um time tinha a vantagem sobre outro, antes do jogo. E isso independia da posição de cada um na tabela, dos elencos, do momento de cada um.
Foi assim que eu acompanhei, no Couto Pereira, aqueles três Atle-Tibas da decisão de 1978, três 0 x 0 ao final dos quais o goleiro Manga, mesmo machucado, defendeu dois pênaltis e garantiu o título para o Coritiba. Estádio sempre lotado, dividido quase ao meio entre as torcidas adversárias, festa antes (das duas torcidas) e depois (normalmente da torcida Coxa Branca) do jogo. Depois disso, vi outros jogos memoráveis, de tristes (Berg) e boas (Alex) lembranças. A maior parte deles, na paz.
As coisas com o tempo foram mudando e, hoje em dia, semana de Atle-Tiba é semana de tensão. As torcidas adversárias passaram a se agredir fisicamente, as diretorias entraram “na onda” da rivalidade fora de campo e passaram a limitar a festa no estádio, os ingressos para a torcida visitante foram limitados, os estádios passaram a ser depredados. Tudo isso, toda essa radicalização do clássico, é conseqüência do despreparo de alguns dirigentes e da burrice de parte da torcida que é capaz de matar ou morrer em nome de uma organizada, ou de uma cor. E esse triste cenário não é, infelizmente, uma vergonha apenas do Paraná, mas existe na maior parte do Brasil.
Morei em Porto Alegre e vi que lá se atiram tijolos em pessoas se essas estiverem de vermelho em meio aos azuis, e vice-versa. Tenho uma filha em Belo Horizonte e lá as pessoas se dão o sobrenome de máfia e de loucura e se destroem aos tiros, até. No Rio, em um dia de clássico entre Flamengo e Vasco, fui agredido na rua por estar com a camisa do Coritiba, e fiquei até feliz por não ter perdido nada além da camisa que eu amo tanto. Exceção eu vivi em 2000 e em 2001, em Salvador, onde o Ba-Vi era chamado de Clássico da Paz e as torcidas entravam abraçadas na Fonte Nova. Hoje nem a Fonte Nova existe mais, não sei o que dizer do respeito entre as torcidas.
Domingo, em Curitiba, tem outro Atle-Tiba. Jogo decisivo para ambos os times. Arrisco dizer que será a morte para quem perder, e a vida para quem vencer. A morte no sentido figurado, no sentido de refletir a frustração de não chegar a algum lugar honroso ao final do torneio, e a vida no sentido da alegria de uma vitória que pode alavancar uma arrancada em direção ao topo. Aconteça o que acontecer, seja lá qual for o resultado, que essas palavras capitais, morte e vida, não passem de metáforas usadas ao final do jogo para definir o destino de cada TIME neste campeonato, e não a conseqüência da estupidez de alguém que, valorizando uma cor específica, esqueceu-se de si mesmo.
Quando me perguntam o que significa torcer pelo Coritiba, eu respondo simplesmente que significa amar o Coritiba. O resto, os outros times, são simples adversários a serem batidos. Em campo.
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Quanto ao jogo em si, quanto às possibilidades de cada um, o que dizer? Atle-Tiba não é um jogo onde as previsões racionais ou as análises táticas funcionam. O que decide esse clássico é o amor de cada torcedor pelo seu time, é o respeito à camisa que cada jogador usa, é a garra, é a vontade. Quem for mais guerreiro em campo, quem gritar mais na arquibancada (o que, infelizmente, não valerá para o jogo do próximo domingo) quem acreditar mais em si mesmo é que sairá vitorioso. Pois Atle-Tiba é um jogo ganho com o coração!
Pra cima deles, Coritiba! Chegou a hora!!
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Sobre o autor
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.
Sobre o blog
Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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