Em uma história de glórias, não há lugar para a prata
Retorno a este espaço opinativo do site, agora em formato de blogs.
E meu primeiro post nesta nova etapa será para explicar o porquê do nome deste blog.
Tenho muito, mas muito orgulho mesmo, da estrela dourada que encima nosso escudo. Vivi aquele momento em 1985 em toda a sua plenitude, acompanhando todos os jogos em Curitiba e até alguns fora da cidade, como contra o JEC, em Joinville.
Pois aquela conquista fantástica, aquele título de Campeão Brasileiro, foi eternizado não apenas na história do futebol brasileiro, mas também no símbolo maior do Coritiba, que é o seu escudo, através da colocação de uma estrela dourada acima do mesmo.
Mas hoje, dezembro de 2010, pouco depois de conquistarmos o segundo título da maldita segunda divisão do futebol brasileiro, volta à baila a idéia de também eternizarmos essas conquistas em nosso escudo, colocando sobre ele estrelas prateadas.
Não menosprezo esses títulos. Discordo de quem diz que eles representaram o cumprimento de meras obrigações. Guardá-los-ei em minhas lembranças, na esperança de não mais ter que comemorá-los, pois os terei como penitências cumpridas. Mas o que eles simbolizam são momentos de purgação, não de conquistas grandiosas.
Ao final de 2007, quando da primeira discussão acerca desse assunto, escrevi aqui no site que, por conta do título da Série B, “devemos ter a consciência de que teremos no peito não uma insígnia, mas sim uma cicatriz”.
Hoje, vejo o Coritiba iniciando um processo de reencontro com o rol dos grandes clubes do Brasil. Porém, temos ainda um bom caminho a percorrer antes de reconquistarmos não apenas o respeito da nossa torcida, como dos adversários que antes nos temiam como a poucos. Esse caminho, entretanto, não passa pela exaltação além da conta que uma conquista menor, mais pedagógica do que gloriosa, deve merecer.
Estrelas de prata são para clubes pequenos, que as têm como símbolos de superação de suas poucas capacidades de conquistarem algo grandioso.
Estrelas de prata eternizariam, no caso do Coritiba, a passagem por um lugar do qual nunca nos orgulharemos, ainda que dele tenhamos saído como campeões.
Estrelas de prata deveriam ser tatuadas, isso sim, na testa dos dirigentes que estavam no clube à época dos rebaixamentos para a segunda divisão, como uma marca que os identificasse como não aptos a dirigir um clube que já foi, um dia, muito grande, e que exatamente pela pequenez desses dirigentes, pena hoje para reconquistar a sua glória.
Louvarei sim, mas na medida certa, a volta por cima que o Coritiba deu este ano, pois mostramos a todos a fibra e a honradez que os Coxas Brancas têm. Quero crer, e torço do fundo d’alma para que isso seja real, que 2010 irá marcar a virada na nossa história, irá colocar um ponto final na gangorra que têm sido nossos últimos anos, e irá sepultar de vez o pensamento pequeno que não condiz com a nossa histórica grandeza.
O que eu quero ver na camisa do Coritiba, doravante, são mais estrelas douradas! Sobre o glorioso símbolo Alviverde, apenas o ouro de grandes conquistas!
Sobre o autor
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.
Sobre o blog
Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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