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Estrela Dourada
Estrela DouradaMarcus Popini

'Eu voltei, Coritiba!'

Chegamos à metade da temporada e o Coritiba segue alcançando seus objetivos.

Foi tri campeão paranaense, está na semifinal da Copa do Brasil, e encontra-se no meio da tabela do Brasileirão, depois de cinco rodadas disputadas. Se parasse por aí, muitos se dariam por satisfeitos. Mas, em minha opinião, é chegada a hora de buscar aquele algo a mais.

Sem desmerecer nada do que foi alcançado até agora, o fato é que, em 2012, ainda não ganhamos de nenhum time grande. No Campeonato Paranaense, somos o único time na elite do país. Na Copa do Brasil, perdemos a primeira partida para o São Paulo, ainda que jogando bem. No Brasileirão, fomos derrotados por Inter, Botafogo e Flamengo, e vencemos, bem, Lusa e Atlético-GO, dois times sérios candidatos ao rebaixamento.

Mas eis que, na próxima quarta feira, no jogo de volta da semifinal da CB, contra o São Paulo, o Coritiba tem nas mãos a chance de ver renascer a sua fama de “time de chegada”. Simplificando, teremos duas opções: derrotados, fechar nossa participação de maneira honrosa, lutando até o último minuto, o que nos permitiria usar o velho discurso de que foi uma bela campanha, dada a nossa pequenez frente aos grandes do Brasil ou, quem sabe, vitoriosos, não precisando se valer de discurso algum, pois a “conquista” falaria por si só.

Muito se tem discutido sobre como o Coritiba evoluiu nesses dois últimos anos, saindo do Inferno para bater às portas do Céu, fruto e mérito do bom trabalho diretivo implantado no clube a partir de 2010. Isso é uma constatação, um fato, não há o que contrapor a essa situação, para a qual cabem todos os elogios. Tudo o mais, porém, é subjetivo. Para muitos, a superação do clube fala por si só, e deve ser olhada como um fim; para outros, entretanto, o que aconteceu nesse par de anos é “apenas” um meio para se chegar à redenção definitiva, a ser coroada com a entrada definitiva no rol dos detentores dos maiores títulos do país.

Iniciamos esta semana de uma forma já conhecida: valendo-nos dos discursos de que é preciso superação, de que a garra pode ser o fator decisivo para, mais uma vez, reverter uma situação que nos é desfavorável no momento. Passemos, pois, do discurso à prática. A apresentação do Coritiba em São Paulo, na quinta feira passada, ao menos até os trinta minutos do segundo tempo, nos credencia a uma vitória na próxima quarta feira. Não apenas na quarta feira, mas nas partidas seguintes, quando da decisão do campeonato, se lá chegarmos.

Todos, jogadores, torcida, treinador e diretoria, já sabem o que é preciso. Não somos iniciantes nessa história de decisão. Não somos uma zebra desacostumada a ganhar títulos. Não nascemos ontem. Temos casa, história e tradição. Em nada somos inferiores a ninguém, quando acreditamos que o que ainda não temos, nós iremos buscar.

A hora de teorizar e de discursar já acabou. Chegou a hora de conquistar !

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Tenho comigo que o que nos faltou na primeira partida contra o São Paulo nós já temos para a segunda partida, bastando apenas usar. Penso eu que tivéssemos em campo, naquela partida, um centroavante de ofício, talvez o resultado tivesse sido outro. O time se defendeu bem, armou boas jogadas, manteve o domínio da posse de bola, domínio esse que só se caracterizou como estéril por ter nos faltado alguém que conhecesse o caminho do gol, alguém que já tenha sido artilheiro em outras feitas, alguém que dê valor à camisa alviverde por ter se formado no clube, alguém que venha se empenhando muito nos treinamentos a fim de pontuar sua história com uma grande conquista.

Desde que retornou ao Coritiba, Marcel tem sido muito criticado. Coloco-me entre os muitos que já o chamaram de ex-jogador. Critiquei sua contratação, reclamei quando ele foi escalado, pedi a sua saída do clube. Mas lembrei-me que o que eu vi Marcel fazer em 2003 não foi pouco. Muito pelo contrário.

Ninguém desaprende a jogar bola. Marcel foi formado no Coritiba. Pois eis que os caminhos imprevisíveis do futebol trazem a ambos, Marcel e Coritiba, nova chance de reescrever a história. Se Marcel for pro jogo, que possa dizer, com gols: eu voltei, Coritiba!


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Sobre o autor

Marcus Popini
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.

Sobre o blog

Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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