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Estrela Dourada
Estrela DouradaMarcus Popini

Faça por ti, Coritiba!



O Coritiba se aproxima de um momento que pode representar um ponto de inflexão na sua história.

É certo que nós, Coxas Brancas, temos orgulho da história do clube. 103 anos pontuados de grandes conquistas. Mas é chegada a hora de mudar definitivamente esse cenário. Não o das grandes conquistas, mas o fato de elas serem pontuais, esporádicas.

Sou um dos privilegiados que puderam acompanhar o que classifico como a nossa década de ouro. Nos anos 70 formamos timaços, ganhamos oito títulos paranaenses em nove anos, ganhamos o Torneio do Povo e disputamos duas semifinais do campeonato brasileiro (a segunda já em 1980).

Já na década de 80 conquistamos nosso maior título, ao vencer o Brasileirão em 85, e tivemos nosso último suspiro, no que diz respeito a possuir um grande time, em 89.

À canetada de 89 sobreveio nosso período mais negro, do qual devemos lembrar apenas para que aprendamos com os erros, ainda que em 1998 tivéssemos tido a chance de sonhar, mas apenas sonhar, com a glória.

Já na primeira década deste século, mais lembranças ruins (dois rebaixamentos) do que boas (uma classificação a Libertadores de 2004).

E eis que, quando tudo se encaminhava para a mesmice, para a repetição da mediocridade à qual estávamos nos acostumando, aconteceu a tragédia de dezembro de 2009. Não apenas o rebaixamento, mas a vergonha de ver o nome do Coritiba jogado na lama por dirigentes aventureiros e torcedores bandidos.

E viu-se o Coritiba quase que à míngua. Rebaixado, praticamente abandonado por sua torcida (quando muitos cancelaram seus planos de sócios, guardaram suas camisas e se locupletaram com xingamentos, agressões e ameaças), obrigado a jogar em outro estado, espezinhado pela mídia regional e nacional, condenado não apenas por seus pecados, mas sim pagando por todos os pecados do mundo.

E foi nesse cenário de trevas que o Coritiba ressurgiu. Reestruturou-se administrativamente, ganhou o título regional e venceu a segundona com um pé nas costas; na sequência, manteve seus principais jogadores, fez contratações acertadas, foi Bi Campeão Paranaense invicto, bateu o recorde nacional de vitórias consecutivas, impôs uma grande humilhação histórica a um dos ditos grandes clubes do Brasil, o Palmeiras, chegou a duas finais da Copa do Brasil, foi tri e depois tetra campeão regional (e sempre em cima do Atlético genérico).

Tenho comigo que se engana quem pensa que o Coxa chegou a essa etapa no seu processo de renascimento visando apenas à sua sobrevivência. O Coritiba veio até aqui por nós, torcedores. Pois tivesse o clube sucumbido definitivamente no desastroso ano do seu centenário, o que estaríamos nós a fazer agora? Por quem estaríamos nós a nos orgulhar neste momento?

É fato que ainda não conquistamos nada que sacramente esse renascimento. Mas também é fato que, a continuar nesse caminho de seriedade, isso será mera questão de tempo. E aí teremos aprendido todos nós, torcedores, que não se vira as costas para quem se ama, nem nos piores momentos, nem nunca; e que nessa relação mágica do futebol entre um clube e sua torcida, somos nós que dependemos do Coritiba, e não vice-versa. E a tristeza que sentimos quando o clube vai mal, ou a alegria com a qual comemoramos suas vitórias, são a prova disso.

Pois muito obrigado, Coritiba, por ter conseguido trazer de volta para junto de ti a tua torcida. Não com apelos sentimentais, nem com mentiras ou falácias, mas com trabalho e com vitórias. Que doravante possamos caminhar juntos sem nunca mais nos separarmos, conscientes de que a redenção definitiva, tanto do clube quanto de sua torcida, virá muito em breve.

Vamos em busca do sucesso perene! Mais do que por nós, torcedores, faça isso por ti, Coritiba, pois você merece a eternidade. E a glória!

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Reedito/atualizo este texto, escrito em 17/05/2011, para obrigar meu lado (i)racional a curvar-se ao emocional, conceder-me o direito de sonhar com algo que, de início, eu julgava ser impossível, por medo de nova desilusão. Mas é hora de curtir o momento, aplaudir Chico, aplaudir Robinho, que tanto eu já critiquei, aplaudir o Coritiba, enfim, e deixar o ceticismo para outro dia...

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Eu quero dizer
Agora, o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante

...

É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante

..

Eu vou desdizer
Aquilo tudo que eu lhe disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante

(do Mestre Raul Seixas)

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Instagram: mpopini

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Sobre o autor

Marcus Popini
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.

Sobre o blog

Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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