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Estrela Dourada
Estrela DouradaMarcus Popini

Green Heaven

Eu estava tentando evitar escrever algo sobre essa tragédia da Chapecoense, pois penso que não existem palavras que consigam diminuir a dor dos que, diferentemente de nós, foram diretamente atingidos por ela.

Imagino inexistir alguém que não tenha sido tomado por um sentimento de tristeza ao pensar naqueles que se foram e no momento de suas vidas em que se foram. Sei, também, que a entidade, a empresa, o clube de futebol Chapecoense vai seguir em frente e há de se reerguer. Meu maior desejo, no entanto, é que a imensa solidariedade demonstrada ao clube seja estendida (e de forma duradoura!) também às famílias dos jogadores (e dirigentes, e jornalistas, e tripulantes) que nos deixaram.

Ontem, ao acompanhar a homenagem organizada pela diretoria Coxa Branca à Chapecoense e às vítimas desse infortúnio, me flagrei remoendo as lembranças das vezes em que sempre coloquei o meu amor ao Coritiba acima da importância dada àqueles que vestem a sua camisa. Em minha rotina egoísta, transformo em heróis aqueles jogadores que fazem gols decisivos, que defendem bolas difíceis, que me fazem comemorar de alguma forma, enfim. Pelo mesmo motivo, ou seja, guiado apenas pelos MEUS sentimentos, me permito execrar quem, em minha avaliação subjetiva, “julgo” como culpados pelas derrotas ou frustrações que o Coritiba sofre e nos impõe. Insisto nesses devaneios e chego à fria conclusão de que, passada toda essa consternação geral, a preocupação que eu demonstrei no parágrafo acima voltará a ser uma contradição em relação ao sentimento que eu expressei neste. Pois é assim o mundo do futebol, no fim de tudo: uma tolice que, infelizmente, prescinde de um sentido maior, ou verdadeiro.

Ontem, também, ao ver as imagens de coxas e atleticanos sentados lado a lado, em paz (sem confrontos ou agressões), ao pensar no que os unia naquele momento, ao imaginar onde devem estar aqueles que se foram e ao ver os sinalizadores novamente acesos dentro do Couto Pereira, pensei: Green Heaven...

A tragédia, além de unir, deveria ensinar.

Sobre o autor

Marcus Popini
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.

Sobre o blog

Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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