Lágrimas
Antecipando as cenas que costumas ser vistas apenas na última partida do ano, com o rebaixamento já sacramentado, a televisão fez questão de mostrar, ao final da partida de ontem, contra o Grêmio, no Couto Pereira, as cenas de uma jovem torcedora Coxa Branca chorando.
Ainda que não seja uma novidade, posto ser a desilusão o fio condutor da nossa rotina desde 1989, aquela cena foi como o epílogo de uma tragédia anunciada. Diante de tantos erros e tanto descaso com a responsabilidade, nosso fim não poderia ser outro, que não esse que nos impinge, mais uma vez, a dor da humilhação suprema de ver nossa camisa desonrada, nossa tradição esfacelada, nossa história quase apagada.
Muito embora muitos ainda prefiram segurar suas lágrimas acreditando na matemática, penso que a realidade nua e crua é que um time que só piora a cada jogo não pode se apegar nem aos números para continuar sonhando.
Ah, e esse incrível Marcelo Oliveira, que quanto mais tempo tem para treinar o time, mais consegue piorar as coisas! Que a cada substituição que faz durante os jogos, sempre complica mais, sempre leva mais gols, sempre termina derrotado, enfim. Quantas lágrimas dá pra colocar na conta dele? E ele estará lá, no nosso último jogo no Couto, para ser rebaixado junto com o time e ver, pessoalmente, a tristeza do povo que antes o idolatrava?? Espero que sim. Da mesma forma como espero que todos aqueles que o aplaudiram, quando do seu retorno, não estejam escondidos em casa, envergonhados com a besteira que fizeram ao avalizar a volta dele ao Coritiba, mas também estejam no estádio, para serem responsabilizados, junto com os dirigentes e com os mochileiros e descompromissados do nosso elenco, por mais um rebaixamento.
Acho que até daria para explorar um pouco o lado da emoção, usando a imagem da menina que chorava pelo Coritiba. Mas seria injusto. Seu choro parecia puro, sincero, desprovido do vício de quem compactua com a mediocridade e aceita a humilhação, caso da maioria absoluta da torcida Coxa Branca, que celebra vice-campeonatos como conquistas, que endeusa enganadores, que aplaude fracassados, que perdoa os que viram a casaca no meio do mandato para montarem outra chapa e se perpetuarem na direção do clube, que sataniza quem critica, que comemora quando não caímos, que não conhece nossa verdadeira história, enfim. Que das lágrimas da menina possa brotar outro Coritiba , que não seja mais o Coritiba desses medíocres.
Sobre o autor
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.
Sobre o blog
Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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