Mais do mesmo
Já na descida do ônibus, os jogadores eram só sorrisos. Alegria maior que a deles, apenas a de Marcelo Oliveira. Semblante altivo, sorridente, distribuindo abraços e acenando com as mãos para a torcida, que o ovacionava. Teatro que seguiu na entrada do gramado e foi até o jogo começar.
Mas o apito do árbitro, iniciando a partida, soou como um despertador, que tirou a torcida do seu transe e a trouxe de volta à realidade nua, crua e, mais que tudo, cruel.
Em campo, um amontoado de pernas de pau vestindo verde e branco e batendo cabeças. Fora de campo, o sorriso de Marcelo Oliveira já dera lugar à sua tradicional feição incapaz de motivar o mais otimista dos otimistas. Ao final do jogo, mais uma derrota, mais explicações risíveis, mais entrevistas patéticas.
Ainda assim, há que se dizer que Marcelo Oliveira conseguiu uma façanha: conseguiu piorar o que parecia impossível de ser piorado. Com Pachequinho, o Coritiba era um bando de perebas enganados, que achavam que podiam jogar no ataque o tempo todo, de forma mais ou menos organizada. Já com Marcelo Oliveira, o Coxa continuou a ser um bando de perebas, mas agora completamente desorganizados, sem saber nem atacar, nem defender. Sim, nossos jogadores são uma porcaria, mas mesmo uma porcaria, quando minimamente organizada, não seria saco de pancadas dos outros times, como estamos sendo.
Eis que do time “repleto de craques” (do nosso presidente), passando pelo time que disputaria no mínimo a vaga para a Libertadores (dos nossos diretores) e chegando ao time que “é ruim, mas não a ponto de ser rebaixado” (de boa parte da nossa torcida), só sobrou pó.
Eu já não tenho mais muita esperança sobrando. Acho que jogamos fora nossa última chance de melhorarmos quando trouxemos de volta Marcelo Oliveira, carregado nos braços da torcida. Quando resolverem dispensá-lo, talvez não tenhamos a sorte de achar um Deivid, um Tcheco (de treinador), um Joel ou aquele Henrique Almeida de antigamente, jogadores esses que, com seus gols, ajudaram a adiar o que agora parece ser inevitável.
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Escrito dia 31/07
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Quem não gosta dessa história do "eu avisei", dane-se. Eu avisei. Não que isso me conforte. Pelo contrário. Me faz sentir mais estúpido do que já sou.
Sobre o autor
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.
Sobre o blog
Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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