O meu Coritiba
Aposto em um bando de jogadores medíocres, desconhecidos, baratos, que jogavam em clubes pequenos, como o nosso (hoje); talvez um ou outro com algum nome, mas voltando de alguma contusão, ou que estava encostado em algum clube maiorzinho. Venha quem vier, uma coisa eu tenho certeza: serão apostas. É o que nos resta, enfim, consequência da estupidez diretiva que, usando o discurso de “seguir o orçamento à risca”, fez uma lambança tal em 2018 que comprometeu todo o orçamento de 2019...
Mas eu dei uma forcinha pra amenizar um pouco as dificuldades. Paguei minha anuidade de sócio, adiantada, como venho fazendo há anos, mesmo sem poder ir aos jogos, por não morar em Curitiba. Também comprei as porcarias das camisas da tal marca própria que esses caras inventaram (aliás, essa última camisa branca foi emblemática: parecia que o símbolo do Coritiba estava desaparecendo, a exemplo do que está acontecendo com o clube...).
Mas não. Eu não tenho muita esperança de que o Coritiba melhore em 2019. Paguei minha anuidade, comprei minhas camisas e as uso quase todos os dias, assim como não nego meu amor pelo Coritiba nem nos piores momentos (que ultimamente têm correspondido a TODOS os momentos), simplesmente porque não existe mais explicação lógica para o fato de ser Coxa Branca. Isso transcende os idiotas que se sucedem ano após ano em seu comando e que representam a quintessência da arrogância e da falácia. Ser Coxa Branco é algo inato, que desafia a razão, pois há anos só pioramos, definhamos, nos apequenamos. Começa ano, termina ano, a gente já sabe o que vai acontecer. Fala, escreve e “avisa” só de teimosia, uma vez que o enredo escolhido pelos dirigentes é sempre o mesmo. Aí ficamos por conta de acontecer uma combinação improvável de fatores, para que tenhamos um ano “menos ruim”. Então, ter esperanças é ser masoquista.
Mas eu continuo sócio, comprando e usando camisa e cantando aos quatro ventos que eu sou Coxa Branca, porque o Coritiba é meu, não deles. O meu Coritiba tem uma Estrela Dourada no peito, que eu vi como foi conquistada. Se hoje o que existe à nossa frente é um abismo, é porque incautos que acreditam nas mentiras dos que têm se sucedido no poder do clube estão a nos empurrar para ele. Esse caminho está traçado, caso nada mude. Eu tento empurrar para o outro lado fazendo o que eu posso, não condicionando minhas “obrigações” para com o clube a quem está a dirigi-lo, não acreditando em promessas vazias e não deixando de, com o perdão da prepotência, alertar para a repetição de erros crassos, avalizado pela vivência de quem já viu o Coritiba ser tratado com a dignidade que um clube grande merece.
É assim que o meu Coritiba há de existir para sempre, mesmo que os que o empurram para o abismo não se deem conta disso a tempo de salvá-lo.
Sobre o autor
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.
Sobre o blog
Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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