Por que tem que existir um amanhã?
Em setembro desse mesmo ano, 2013, Marquinhos Santos conseguiu a proeza de ser derrotado, em pleno Couto Pereira, para o Itagui, um time semi-amador da Colômbia, pela Copa Sul Americana.
Hoje, 03 de maio de 2015, Marquinhos Santos escreveu mais uma página de sua história como treinador do Coritiba: foi goleado em casa, em uma decisão de campeonato, para um time do interior, que disputará a quarta divisão do Brasileirão.
Depois de passar o campeonato regional todo se borrando de medo dos times do interior, armando, de forma covarde, um time cheio de volantes quando atuava fora de casa, nosso treinador mostrou todo o seu despreparo, ao tirar zagueiro, volante, e colocar dois atacantes, conseguindo piorar mais ainda o que já era terrível, transformando o Coritiba em um time completamente patético, perdido em campo, com os jogadores sequer sabendo onde se posicionarem.
Tudo bem, há de se descontar o fato de que deram ao nosso treinador um monte de refugos, como ele mesmo chamava os jogadores, tentando motiva-los, na partida de estreia do Paranaense, em um vídeo divulgado pelo próprio Coritiba. Mas mesmo com um monte de sobras de outros times, apenas o valor da nossa folha salarial não nos impunha a obrigação de ganhar o regional com folgas?
Por que Marquinhos Santos não testou todos os refugos que tinha à sua disposição? Por que insistiu tanto com Vaná (mais um frangueiro que teremos que aturar por muito tempo, ao que parece)?? Por que esse cara foi tão covarde, ao vestir o time com fraldas, para vir depois pedir o apoio da torcida para tentar reverter os placares adversos, consequências apenas de seu despreparo?
Mas faz parte, né? A tolerância da torcida Coxa Branca é infinita. Não importa que soframos humilhações em cima de humilhações, que acabamos de escrever mais uma página vergonhosa da nossa história, que estejamos às vésperas de mais um Brasileirão onde talvez nem consigamos brigar pra fugir do rebaixamento. Não devemos criticar nada. Devemos, isso sim, apoiar incondicionalmente, a exemplo do que vimos fazendo nos últimos anos, tolos que somos. Por conta dessa nossa tolerância infinita, merecemos ser tomados por idiotas, como fez o nosso vice-presidente de futebol, Ernesto Pedroso, ao dizer, nessa semana, que iremos brigar pelo título do Campeonato Brasileiro.
Não posso falar por ninguém. Mas me sinto humilhado. Vejo, a cada ano que passa, o Coritiba só piorar. A cada página que tentamos virar, vem uma seguinte onde está escrito um novo capítulo de sofrimento, de vergonha, de dor. Uma dor que parece não ter fim, a exemplo desse livro de terror que conta a história do Coritiba dos dias atuais. No caso do clube que amamos, existir um amanhã nos traz apenas a certeza de mais sofrimento.
Não tenho vergonha de contar que não foram poucas as vezes em que eu chorei pelo Coritiba.
Mas hoje foi demais. Chorei primeiro de raiva, depois de tristeza. O fato é que o Coritiba que se envergonhava nas derrotas, que lutava com hombridade, que tinha honra, enfim, já acabou, morreu.
Pobre de ti, Coritiba.
Sobre o autor
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.
Sobre o blog
Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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