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Estrela Dourada
Estrela DouradaMarcus Popini

Retrocesso



O vídeo com as declarações do presidente VRA na festa da Império foi uma das coisas mais tristes que eu já vi nos últimos anos. Fez cair um castelo de sonhos, que eu havia construído em cima de declarações do tipo:

"Alguém precisa ter coragem para iniciar, depois os demais acabam seguindo a mesma linha. Mas é preciso que alguém inicie esse processo para acabar com as organizadas nos estádios”.


Ou então:

“Conseguimos isso [passar do último ao terceiro lugar no número de vendas de camisas do clube, em 2010, segundo dados do fornecedor de material esportivo] por que eliminamos a concorrência da organizada (Império Alviverde), que vendia seus uniformes e sufocava o comércio do clube”.

Difícil saber o que mudou nesse período. Nunca consegui encontrar respostas para as perguntas que eu fiz nesse texto, em 2010, quando, além de colocar algumas dúvidas, eu também reconheci alguns dos méritos da "nossa" organizada.

Penso eu que não se trata de mera opinião contrária a essa reaproximação. É fato COMPROVADO que a existência das torcidas organizadas é uma das razões para a intolerância e a violência dentro e fora dos estádios de futebol. No Rio de Janeiro, não se passa um único clássico sem que ocorram prisões ou mortes por conta dessa imbecilidade. E é assim também em São Paulo, em Minas, em Porto Alegre (onde eu vi in loco, já há muito tempo, um gremista jogar um tijolo na cabeça de um colorado) e em quase todo o Brasil. E de Curitiba nem se precisa falar, ou será que alguém se sente seguro, andando pela cidade, em dia de atle-tiba? Quem ousa colocar a camisa do Coxa ou do Atlético e encarar, sozinho, um terminal de ônibus ?

Quem acha que precisa da IAV para ter motivação a gritar pelo Coxa durante uma partida, então não é torcedor. Muito se fala nessa estupidez de "verdadeiros Coxas Brancas", mas, se é mesmo possível mensurar o que é paixão verdadeira, certamente não seria aquela que depende de um coro ou de alguém vestido com uma camisa de uma facção, bem diferente da camisa do Coritiba, para tentar empurrar o seu time.

Muitos também falam em união “nessa hora difícil”. Mas que “união” é essa que, para ser selada, tem como conditio sine qua non o uso de um fardamento próprio e o direito de entoar cantos de exaltação que não sejam unicamente ao Coritiba? União, no meu entender, era o que estava acontecendo até há pouco tempo, onde os membros da torcida organizada estavam a freqüentar o Couto Pereira empunhando faixas e bandeiras que exaltavam o Coxa, e não a IAV.

Parece-me que ter mantido a postura firme de restrições às organizadas traria muito mais segurança do que ter que andar, doravante, a pisar em ovos, por conta de um acordo cujo equilíbrio é tão estável quanto nossa permanência na primeira divisão, nos últimos anos. Mas, uma vez tomada essa decisão, resta-nos torcer para que ela tenha sido acertada. Boa sorte, Coritiba...

xxx

Sobre o autor

Marcus Popini
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.

Sobre o blog

Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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