Sobre dor e esperança
Pois a torcida Coxa Branca tem medo de ter esperanças. Sempre que nos apegamos a ela, como último recurso, só restaram lágrimas de tristeza, e muita dor.
Mas o que nos resta, então? Desistir?
Se levarmos em consideração que a salvação do Coritiba não depende de nós, torcedores, sim, talvez desistir seja o melhor a fazer, para abreviar a nossa dor. Pois fossem o nosso amor e nossa devoção por esse clube capazes de ditar o que acontece com o time, seríamos campeões de tudo o que disputássemos.
Mas a salvação do Coritiba depende, agora, só dos seus jogadores. E acho que poucos são os jogadores de futebol que têm um coração, não aquele que bate, mas aquele que ama.
Mas e se contra o Bragantino* a torcida encher o Couto Pereira e, quando os jogadores alviverdes entrarem em campo, emprestar a eles os seus corações?
Sim, eu sei que já tentamos isso. Também sei que eu mesmo cansei de escrever que não há grito de apoio que ensine os jogadores a fazerem o que eles não sabem fazer. Mas o caso é que só temos duas alternativas: ou vamos pra casa continuar a chorar a morte do Coritiba (que fará falta sim, até para aqueles que acham que conseguirão viver sem ele!), ou vamos para o Couto Pereira, gritar e torcer como se fosse a última vez que estaríamos vendo o time que amamos.
Não sei como terminar este texto, pois eu me sinto impotente e pequeno diante da derrocada do clube que é dono do meu coração (aquele coração que ama, não o que pulsa). Terei que pegar um gancho, então, e novamente, em um pensamento, agora emprestado por um neurologista e antropólogo italiano, Paolo Mantegazza:
"A esperança é a poesia da dor, é a promessa eternamente suspensa diante dos olhos que choram e do coração que padece."
E assim, mesmo com dor e com lágrimas, o coração (aquele que ama) fala mais alto, e escolho então a esperança de ainda poder ver o Coritiba lutando, para que o meu amanhã não perca também o sentido.
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* Escrevi esse texto originalmente em outubro de 2013. O adversário era o Cruzeiro. De lá pra cá, essa história se repetiu inúmeras vezes. Pois que o jogo de domingo possa ser o passo adiante que ponha um fim a esse círculo vicioso!
Sobre o autor
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.
Sobre o blog
Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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