Trauma
O fato é que a vitória contra o Belgrano, na Argentina, nos deixou embevecidos. Logo na sequência, veio a boa vitória sobre o lanterna América MG, que nos fez crer em uma estabilidade da equipe. Mas aí começaram as conversas sobre Libertadores, a besteirada sobre binóculos e coisas afins. Depois, veio a derrota dolorida para o Inter, naquele jogo de seis pontos em que uma vitória, que esteve tão perto da gente, teria praticamente acabado com as chances deles de escaparem e com as nossas de cairmos. Eis que no jogo seguinte, contra o Figueirense, cuja expectativa era pela retomada do equilíbrio, a coisa desandou de vez, com Juan de volante e com as mexidas do treinador que bagunçaram mais ainda o time durante o jogo. Pra completar a tragédia, uma derrota vergonhosa no atletiba onde, além da bagunça tática e das improvisações malucas do treinador, tivemos de volta aquela velha indolência do time, que parecia estar em um treino, não em um jogo decisivo.
O resultado de tudo isso? Estamos de volta à nossa rotina de medo. Já voltamos a ter que olhar para o próximo jogo, contra o Fluminense, com a obrigação da vitória e com perspectiva de que uma derrota nos devolva ao Z4. Pra complicar, no meio de tudo isso ainda temos a “distração” da Copa Sul-Americana, contra “apenas” o campeão da Libertadores deste ano...
Nos anos anteriores era nítido que uma possível salvação do rebaixamento passava obrigatoriamente pela troca do treinador. Já para este ano, essa não parece ser uma alternativa. Primeiro, porque Carpegiani já deu provas de que consegue acertar a equipe (a menos que tenha esgotado todas a suas ideias); depois porque, à exceção do próprio Carpegiani, cada troca de treinador que o Coritiba faz parece ser um retrocesso, com apostas em estagiários ou em fracassados.
O que nos resta, então? Voltar a acertar o time. Como? Aí cada um terá uma opinião. A minha seria voltar a fazer o básico: Juninho não é lateral esquerdo, Walisson Maia não é lateral direito, Juan não é volante, Carlinhos não é meio campista, Vinicius não é jogador de futebol. Corrige essas questões e talvez tenhamos força para vencer três partidas, entre as sete (só isso??) que ainda temos pela frente.
Frequentar as últimas posições na tabela e brigar desesperadamente pra não cair tem sido a nossa rotina nos últimos anos. O problema é que eu já não sei se isso nos torna especialistas em escapar do rebaixamento, ou se significa que uma hora vamos cair...
Sobre o autor
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.
Sobre o blog
Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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