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Estrela Dourada
Estrela DouradaMarcus Popini

Vice campeão



Nossa realidade é bem diferente da de quem tem condições de brigar por uma vaga entre os quatro primeiros colocados do campeonato.

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Nossa realidade, como assíduos freqüentadores da segunda divisão que somos, e como eternos conformados com o fracasso, é tentar vencer o campeonato da segundona embutido na primeira divisão, ficando a frente de Ponte Preta, Portuguesa, Sport, Náutico, Bahia, Atlético-GO e Figueirense. O que vier, além disso, será lucro.


À época em que escrevi essas palavras, minha expectativa era de que terminaríamos este ano como "campeões" do mini-campeonato da segundona que está camuflado na primeira divisão. Terminado o ano, nem isso conseguimos (perdemos o “título” para o Náutico).

Porém, para quem flertou seriamente com a zona de rebaixamento até a penúltima rodada, o ano até que acabou bem para o Coritiba. Para quem o campeonato paranaense é o supra-sumo da competitividade, e para quem mais uma derrota na decisão da Copa do Brasil, novamente em casa, e para um time que acabaria rebaixado [com antecedência] no Brasileirão, é o máximo a que podemos chegar, então, o ano de 2012 foi mais do que satisfatório.

O Coritiba esteve no inferno em 2009. De lá pra cá, se reergueu. Conquistou três campeonatos regionais, chegou a duas decisões de um torneio nacional, esteve a ponto de beliscar uma vaga na Libertadores ao final de 2011. Sem dúvida alguma, são etapas bem sucedidas de um processo de reconstrução, muito embora o “quase” ao final dessas etapas tenha nos judiado bastante. Não obstante, talvez tenha chegado a hora de perguntar: o que realmente queremos?

Imagino ser difícil poder voltar a brigar por um título do Campeonato Brasileiro, posto que o tal abismo financeiro que separa clubes do “2º escalão” daqueles do eixo RJ-SP-MG-RS aumenta a cada ano. Chega a ser covardia ter que competir com clubes cujos contratos de patrocínios e as verbas da TV são exponencialmente maiores do que os nossos. Restaria, então, conseguir formar bons jogadores nas categorias de base, garimpar um ou outro bom valor aqui e ali, e, talvez o mais importante, não se desfazer de uma boa base montada de um ano para outro. E é aí que pode estar o “pulo do gato” para nós.

Sanear financeiramente o Coritiba é um objetivo nobre, e que deve ser perseguido. Porém, longe de querer pregar a irresponsabilidade, há de se lembrar que clubes com dívidas dez vezes maiores que a nossa continuam a conquistar brasileirões e Libertadores por aí. E que, amor e fidelidade à parte, são os títulos que trazem o torcedor e os patrocinadores, com os seus dinheiros, ao clube.

Sobre o 2013 Coxa Branca, difícil especular. Pode ser bom, como indica a espetacular contratação do craque Alex, mas também pode ser novamente medíocre, como indica a possível renovação com jogadores bisonhos, tipo Junior Urso. Uma mistura desse tipo, Urso com Alex, usada apenas como um exemplo generalista, certamente não daria liga, seria como água e óleo. A não ser que tudo o que se almeje realmente seja disputar o campeonato objetivando apenas não ser rebaixado.

Em outra feita escrevi aqui, sobre o nosso título de 1985: aquela conquista foi uma lição definitiva para a minha vida: comemore apenas as vitórias, nunca as derrotas; destas, aprenda as lições e tente fazer melhor, pois você perdeu; daquelas, regozije-se por toda a eternidade, pois vencer-lhe ninguém conseguiu!

Tenho consciência, sim, da posição que ocupamos no cenário futebolístico brasileiro. Mas não vou me contentar com ela. Da tragédia de 2009 pra cá, resolvi adotar a postura de “tolerância zero” com o fracasso. É uma posição pessoal, que não importa a ninguém, e que tem me custado caro, mas que faz com que eu enxergue o Coritiba como grande, e deseje vê-lo comportando-se como tal, nem que seja apenas em meus devaneios. Pois imagino que o conformismo com a mediocridade e com a pequenez, em nome da paciência que tudo aceita, em nome de “um lugar no céu”, em nome de um passo a passo tão lento que se transforma em marcar passo, é incompatível com a grandeza.

Que o nosso 2013 seja sem medos.

xxx

Sobre o autor

Marcus Popini
Marcus Vinicius Fonseca Popini foi ao Estádio Belfort Duarte, hoje major Antonio Couto Pereira, pela primeira vez, em 1975, aos nove anos de idade. Coxa Branca de nascimento, pai de duas filhas, geólogo pela UFPR com mestrado em Geofísica pela UFBA, participante do site COXAnautas desde 2006, Popini hoje corre o mundo por conta de sua profissão, sempre levando as cores do Coritiba por onde passa.

Sobre o blog

Um blog é, em essência, um tipo de mídia onde pessoas expressam suas opiniões. Este blog, em particular, não tem outra intenção que não seja discutir as coisas relacionadas ao Coritiba, sem existir qualquer pretensão de que os posts aqui colocados sejam a visão única e definitiva das coisas. Trata-se, pois, de um espaço para debates, onde as opiniões colocadas de forma respeitosa sempre serão levadas em consideração.
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