Burocrático, lento, previsível, quase robótico
Os mais otimistas podem até argumentar que tivemos duas bolas na trave, muitas outras oportunidades claras de gol desperdiçadas e que o árbitro não marcou um pênalti claríssimo em Robson, atuando pessimamente ao longo de toda a partida. A diretoria tem que cobrar os responsáveis. Também poderia-se apelar para a ausência de alguns jogadores importantes.
Cabe lembrar, no entanto, que não estávamos jogando contra um time da série A do Campeonato Brasileiro, nem da B, C ou D. Qualquer time que nos representasse na partida de hoje teria obrigação de mostrar uma atitude mais ousada desde o primeiro minuto de jogo, o que certamente resultaria em vitória.
No entanto, o que menos preocupa é o resultado, mas a inoperância e fragilidade da equipe contra adversários pouco qualificados. Na primeira etapa, o Coritiba teve sete finalizações contra cinco do São Joseense. Resultado de um futebol burocrático, lento, previsível, quase robótico. O Coritiba precisa jogar mais solto quando está com a bola. A falta de objetividade da equipe é inacreditável. Mesmo quando o adversário deixa espaços, a equipe é incapaz de acelerar os passes para pegar a defesa mal postada.
O Coritiba esperou os trinta minutos da segunda etapa para mostrar uma postura condizente com a sua grandeza. Ainda assim, abusou de cruzamentos infrutíferos, poucos deles da linha de fundo, quando dois ou três atletas alviverdes disputavam a bola com cinco ou seis defensores.
Considerando que o paranaense não é o objetivo principal, há de se pensar em uma forma diferente da equipe atuar, pois a fase de testes está chegando ao fim e pelo andar da carruagem não dá para firmar o quanto se avançará na fase final.
Se a observação do que tivemos até agora valer de aprendizado, algumas situações estão ficando mais claras. O 4-3-3 não tem dado o resultado esperado. O Coritiba ainda precisa de dois laterais esquerdos. Vitor Luiz não mostrou nada a mais do que seus antecessores, além das bolas paradas. Chancellor dará arrepios na torcida toda vez que for requisitado. Mais uma opção de meia e de atacante de área serão muito bem-vindas, visando o Brasileiro.
Na partida de hoje, podemos apontar de positivo as boas estreias do zagueiro Kuscevic e do meio campista Liziero, talvez o mais lúcido na malfadada jornada do Glorioso. Neste início de temporada, o excelente início de Kaio César é a melhor novidade. A melhor qualificação do elenco, ao menos em teoria, dá esperança de que ainda ocorra muita evolução e que finalmente se possa contar com uma equipe confiável.
Sobre o autor
Luiz Eduardo Carvalho Buquera é médico veterinário, professor universitário, casado, pai de um filho maravilhoso, apaixonado pelo Coritiba desde a infância, sendo da terceira de quatro gerações de coxas-brancas, que se iniciou com Levy de Brito Buquera, sócio de 1927 até seu falecimento. Testemunhou glórias, como o título máximo de 1985, o belo time de 1989, e também esteve ao lado do clube durante as dificuldades e injustiças do início dos anos 90. Sempre acompanhou o clube da melhor maneira possível desde que deixou Curitiba em 1998. Seu amor pelo alviverde do Alto da Glória será sempre o mesmo, independente de divisão ou resultados.
Sobre o blog
Ao desfrutar do privilégio de escrever uma coluna no site referência para a torcida do Coritiba, pretendo compartilhar opiniões e impressões de um torcedor sobre a história e o momento atual do clube, possibilitando o surgimento de um ambiente amistoso e respeitoso de troca de ideias com os leitores.
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