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Eterno Campeão
Eterno CampeãoLuiz Eduardo Buquera

Transição?

Há algum tempo essa palavra tem sido muito dita quando se fala no aproveitamento de jogadores das categorias de base dos clubes de futebol.

Aponta-se que a causa da mal sucedida passagem ao time profissional seja a falta de uma transição bem conduzida.

Como leigo e torcedor, reconheço minhas limitações para julgar os profissionais do futebol e negar a necessidade da apregoada etapa no início da carreira dos atletas.

Contudo, no papel de torcedor que acompanha de perto e com muito interesse o futebol, em particular o do nosso amado clube, confesso que não consigo entender muito bem como seria a dita transição bem sucedida.

Muitas vezes, me parece mais, pura retórica. Se o jovem jogador desempenha bem ao chegar no profissional, ninguém questiona de que forma essa etapa ocorreu ou deixou de ocorrer. Já se não cai nas graças de torcida, comissão técnica e diretoria, todos já têm a resposta na ponta da língua, "foi a transição mal conduzida".

Apesar do futebol ter mudado muito, quando o árbitro apita o início da partida, são onze elementos e uma bola e se acabaram as desculpas. Embora seja justo que as cobranças e o reconhecimento, devam ser maiores para os mais tarimbados e referências técnicas da equipe.

A única coisa que conseguiria entender, é a avaliação da condição física e técnica de um atleta nos treinamentos para verificar se tem condições de responder em uma equipe profissional. E se ter a sensibilidade de identificar o tempo de cada um. Inclusive do perfil psicológico. Além de se manter um acompanhamento mais próximo de aconselhamento do ponto de vista técnico, tático e disciplinar. Pequenas correções e dicas são providenciais.

Mesmo respeitados estes critérios, o que pesa muito mais é a qualidade do atleta. A partir do momento que entra em campo pelo time profissional é porque tem condições e deve ser tratado como tal. Sou contra a prioridade nesse contexto, seja em favor de qual grupo for, jovens ou experimentados. Joga quem entrega mais. Embora saiba que isso é muito difícil de ocorrer nesses tempos de jogadores melindrados, com empresários empoderados e clubes e comissões técnicas no papel de administradores de humores ou até de bajuladores.

Acredito mais no encontro da oportunidade com a capacidade de aproveitá-la. Ao longo desses 30 anos de observação são inúmeros os casos de jogadores que vingaram ou não, com semelhantes condições de acesso à equipe principal.

Esse assunto é muito rico para ser esgotado em um único texto e é terreno fértil para muita discussão. Gostaria de conhecer a visão dos leitores dessa coluna.

Sobre o autor

Luiz Eduardo Buquera
Luiz Eduardo Carvalho Buquera é médico veterinário, professor universitário, casado, pai de um filho maravilhoso, apaixonado pelo Coritiba desde a infância, sendo da terceira de quatro gerações de coxas-brancas, que se iniciou com Levy de Brito Buquera, sócio de 1927 até seu falecimento. Testemunhou glórias, como o título máximo de 1985, o belo time de 1989, e também esteve ao lado do clube durante as dificuldades e injustiças do início dos anos 90. Sempre acompanhou o clube da melhor maneira possível desde que deixou Curitiba em 1998. Seu amor pelo alviverde do Alto da Glória será sempre o mesmo, independente de divisão ou resultados.

Sobre o blog

Ao desfrutar do privilégio de escrever uma coluna no site referência para a torcida do Coritiba, pretendo compartilhar opiniões e impressões de um torcedor sobre a história e o momento atual do clube, possibilitando o surgimento de um ambiente amistoso e respeitoso de troca de ideias com os leitores.
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