Jogue junto com o Coritiba - testemunho
A torcida do Coritiba é uma das mais participativas do futebol brasileiro e simultaneamente uma das mais exigentes, o que faz com que alguns torcedores, embora muito fiéis e apaixonados, adotem uma postura extremamente crítica quando as coisas não ocorrem conforme o esperado.
Sabendo-se que algumas críticas são necessárias para o aprimoramento do clube, falta um ajuste para que ocorram na medida, no momento e no local adequados, sem o qual, conduzirão ao resultado contrário do desejado.
Certamente não é fácil. Mas se algo de positivo pode ser extraído das grandes dificuldades pelas quais o clube passou nos últimos anos, foi tornar o torcedor um pouco mais paciente e tolerante.
Aqui exponho o testemunho de quem está defendendo uma postura do torcedor como parte integrante da engrenagem que trabalha para conduzir a equipe ao sucesso durante as partidas. Não um mero consumidor de espetáculo, que ao não receber o produto esperado cobra com vaias e xingamentos.
Esse torcedor que vos escreve, frequentou assiduamente o Couto Pereira desde a mais tenra infância até os dias de hoje, com muito menos frequência em virtude de atualmente não residir em Curitiba. Em sua trajetória, assistiu a maioria das partidas das sociais, local de onde surgem os primeiros apupos quando as coisas não correm bem. Na sua infância no início dos anos 80 era muito pior, pois acostumada à hegemonia absoluta no estado e às grandes equipes da década de 70, nem os craques e ídolos eram poupados ao cometerem o menor deslize.
Lembro-me de uma ocasião, num clássico contra o Pinheiros em 1988, em que o Coritiba perdia por 2x0, sair para o intervalo sob os gritos de "timinho" ecoando por todo o estádio, só para os mais novos terem noção. Mal sabiam os torcedores pelo que passariam no início dos anos 90, em 2018 e no ano passado, talvez o mais apático e melancólico de todos.
Acredito falar com conhecimento de causa, pois sou um torcedor que se enerva com facilidade e acaba xingando e vaiando os jogadores durante as partidas. Hoje, calejado e aprendendo com o exemplo dos mais pacientes e com a constatação de que esse comportamento só agrava a situação ruim da equipe que amo, procuro me controlar e guardar toda a energia para apoiar e elogiar nossos atletas.
Deixo para xingar quando assisto pela televisão, o que é igualmente improdutivo, mas ao menos não prejudica a equipe, apenas os ouvidos dos meus familiares e vizinhos.
Finalizo pedindo aos torcedores mais coléricos, como eu, que caso tenham o privilégio de ir ao Couto, que concentrem todas as suas energias para apoiar a equipe, em especial aos jogadores mais jovens e aos de pouca qualidade técnica ou mais inseguros. A torcida sozinha não ganha jogo, mas reconhecidamente é um componente que ajuda muito nesse sentido.
Jogue junto com o Coritiba!
Sobre o autor
Luiz Eduardo Carvalho Buquera é médico veterinário, professor universitário, casado, pai de um filho maravilhoso, apaixonado pelo Coritiba desde a infância, sendo da terceira de quatro gerações de coxas-brancas, que se iniciou com Levy de Brito Buquera, sócio de 1927 até seu falecimento. Testemunhou glórias, como o título máximo de 1985, o belo time de 1989, e também esteve ao lado do clube durante as dificuldades e injustiças do início dos anos 90. Sempre acompanhou o clube da melhor maneira possível desde que deixou Curitiba em 1998. Seu amor pelo alviverde do Alto da Glória será sempre o mesmo, independente de divisão ou resultados.
Sobre o blog
Ao desfrutar do privilégio de escrever uma coluna no site referência para a torcida do Coritiba, pretendo compartilhar opiniões e impressões de um torcedor sobre a história e o momento atual do clube, possibilitando o surgimento de um ambiente amistoso e respeitoso de troca de ideias com os leitores.
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