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Eterno Campeão
Eterno CampeãoLuiz Eduardo Buquera

Responsabilidades

Em várias ocasiões tenho evitado escrever logo após às partidas, pois sou um torcedor muito visceral, daqueles que fica irreconhecível durante os noventa minutos. Tanto a alegria e o entusiasmo das vitórias, como a frustração e a indignação das derrotas, dificultam uma análise mais racional e aumentam a possibilidade de julgamentos e manifestações equivocadas.

A irritação decorrente do que aconteceu no confronto contra o Botafogo, foi tanta, e algumas coisas me pareceram tão claras que senti a necessidade de me manifestar, mesmo correndo o risco supracitado.

A responsabilidade pelo resultado final foi bastante inclusiva. Começando pela arbitragem, passando pelos atletas, e terminando com o treinador.

Sobre a arbitragem, que influenciou e muito no placar, nem tenho vontade de falar. Infelizmente, não foi a primeira e nem será a última vez que acontece. Rotina quando enfrentamos clubes do eixo, em especial, os do Rio de Janeiro. Problema para a diretoria tentar minimizar, se houver como, pressionando pela escalação de arbitragens honestas e capacitadas e pela punição dos árbitros que nos causaram prejuízo. Se nem reclamarmos, os envolvidos entenderão que podem nos prejudicar à vontade.

Sobre os atletas, tivemos muitas atuações individuais abaixo da média. Vou comentar exclusivamente sobre esta partida, o que não significa que estes jogadores não podem se recuperar ou não tenham qualidade. Após o primeiro gol do adversário o time se desorganizou totalmente, ficando até difícil avaliar o desempenho individual.

Preocupante foi o desequilíbrio emocional e a incapacidade de reação que se verificou. Os últimos quinze minutos de jogo foram insuportáveis.

Sobre as participações dos jogadores até o famigerado pênalti, avalio da seguinte forma:

Wilson - Atuação regular. Chegou a fazer a defesa parcial do pênalti. No segundo gol a bola desviou no Igor.

Igor - Pior atuação com a camisa do Coritiba. Perdeu todas as divididas e defensivamente marcou muito mal. Ofensivamente foi bem mais discreto do que em outras ocasiões.

Nathan Ribeiro - Antecipou muitas bolas. Junto com Rafinha, foi um dos melhores no primeiro tempo.

Luciano Castan - Não comprometeu. Mas se destacou menos que o companheiro de zaga.

Natanael - Assim como Igor, não esteve bem. Parecia inseguro para fazer as jogadas ofensivas. Não partia para cima do adversário e recuava todas as bolas que recebia.

Willian Farias - muito lento na saída de bola. Quase a perdeu em várias situações.

Mateus Sales - foi o melhor dos três volantes.

Val - Oscilou ao longo da partida. Menos participativo do que o habitual. Me pareceu lento para recompor e ajudar na marcação do lado direito.

Rafinha - foi bem, mas tem sido sobrecarregado. Rouba a bola melhor que os dois laterais. Como não se omite do jogo, acaba voltando muito para ajudar, quando percebe que há espaços na defesa ou que a bola não chega. Deveria finalizar as bolas de média distância na ausência de um companheiro bem colocado. Tem qualidade para isso.

Wagninho - Melhor marcado, teve suas limitações evidenciadas. Lutou como sempre. E só.

Léo Gamalho - Sacrificado, pois a bola não chega em boas condições. No chuveirinho habitual, sempre está muito marcado.

Por fim, com relação à participação do treinador, até agora não consegui entender o critério das substituições, exceto a entrada de Robinho no lugar de Mateus Sales (embora tivesse sacado o William Farias naquele momento). Além de ocorrerem de maneira tardia, pois o time já estava muito mal desde o início do segundo tempo.

Com essas duas rodadas, só dá para dizer que o destino do Coritiba neste campeonato é imprevisível. Infelizmente nossa equipe não é confiável. Individualmente as peças oscilam muito, falta objetividade (excesso de toques que não geram finalização), sobra lentidão, e o time se desorganiza e não mostra poder de reação diante de placares adversos.

Como estamos no início do campeonato, espero e torço para que os atletas façam uma autocrítica e mudem sua postura dentro de campo, que o treinador faça o mesmo
e consiga corrigir os defeitos crônicos que a equipe tem apresentado e que a diretoria traga logo os reforços necessários para qualificar o grupo.




Sobre o autor

Luiz Eduardo Buquera
Luiz Eduardo Carvalho Buquera é médico veterinário, professor universitário, casado, pai de um filho maravilhoso, apaixonado pelo Coritiba desde a infância, sendo da terceira de quatro gerações de coxas-brancas, que se iniciou com Levy de Brito Buquera, sócio de 1927 até seu falecimento. Testemunhou glórias, como o título máximo de 1985, o belo time de 1989, e também esteve ao lado do clube durante as dificuldades e injustiças do início dos anos 90. Sempre acompanhou o clube da melhor maneira possível desde que deixou Curitiba em 1998. Seu amor pelo alviverde do Alto da Glória será sempre o mesmo, independente de divisão ou resultados.

Sobre o blog

Ao desfrutar do privilégio de escrever uma coluna no site referência para a torcida do Coritiba, pretendo compartilhar opiniões e impressões de um torcedor sobre a história e o momento atual do clube, possibilitando o surgimento de um ambiente amistoso e respeitoso de troca de ideias com os leitores.
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