Subir de patamar ou sobreviver? Qual a verdadeira motivação para a transformação do Coritiba em SAF?
Se antes éramos comandados por duas ou três confrarias incompetentes que se revezavam no poder, e que foram responsáveis pela condição quase falimentar na qual o clube chegou às vésperas da transformação em SAF, agora somos geridos por um grupo sem experiência no futebol e sem identificação com as coisas do Coritiba.
Antes o Coritiba vivia uma democracia caótica, agora vive uma fria e distante ditadura. Os atuais donos do poder não precisam responder a ninguém e se mantém blindados às pressões e críticas, confortavelmente instalados em longínquos escritórios, ignorando o sofrimento e os apelos dos sócios e demais torcedores. Nesse cenário, não sei se a denominação sócio ainda faz sentido no Coritiba de hoje. Somos meros compradores de pacotes de ingressos.
A resposta quase uníssona para o questionamento do primeiro parágrafo é que ou o Coritiba fazia a transformação em SAF ou corria sério risco de não sobreviver como instituição. Desse modo, não haveria outro caminho. Não tenho conhecimento para contestar essa posição, assumida por muitos coxas-brancas que certamente conhecem muito mais as finanças do clube do que eu.
Sendo assim, com a inevitabilidade da mudança para SAF e a postura assumida pelos atuais “donos” do Coritiba, associada aos primeiros resultados de campo, acredito que o objetivo principal era a sobrevivência, independentemente de nos tornarmos de vez um clube de segunda ou terceira categoria, A subida de patamar talvez esteja nos planos, mas deve estar no final da fila das prioridades de quem nos administra e num sonho dos coxas-brancas que está bem distante de se realizar.
Para finalizar, quanto a possíveis alegações de imediatismo dos torcedores e da necessidade de tempo, penso que são equivocadas, quando o que se pede é apenas um time que vença adversários muito menos abonados, e ao menos a manutenção do protagonismo no cenário local. Acredito que muito tempo será necessário para retomarmos algum respeito e resultados no contexto nacional e começarmos a existir internacionalmente. No entanto, é abusar da paciência e da inteligência do torcedor, pedir tempo para conseguir superar Águia de Marabá, Cascavel, Azuriz e Maringá, bem como, para montar uma equipe que nos dê segurança do acesso para a série A ainda esse ano.
Sobre o autor
Luiz Eduardo Carvalho Buquera é médico veterinário, professor universitário, casado, pai de um filho maravilhoso, apaixonado pelo Coritiba desde a infância, sendo da terceira de quatro gerações de coxas-brancas, que se iniciou com Levy de Brito Buquera, sócio de 1927 até seu falecimento. Testemunhou glórias, como o título máximo de 1985, o belo time de 1989, e também esteve ao lado do clube durante as dificuldades e injustiças do início dos anos 90. Sempre acompanhou o clube da melhor maneira possível desde que deixou Curitiba em 1998. Seu amor pelo alviverde do Alto da Glória será sempre o mesmo, independente de divisão ou resultados.
Sobre o blog
Ao desfrutar do privilégio de escrever uma coluna no site referência para a torcida do Coritiba, pretendo compartilhar opiniões e impressões de um torcedor sobre a história e o momento atual do clube, possibilitando o surgimento de um ambiente amistoso e respeitoso de troca de ideias com os leitores.
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