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Falando de Bola
Falando de BolaRicardo Honório

O cérebro e a falta dele



De um lado o cérebro, a cabeça pensante. Pensa o jogo como ninguém. Antes de a bola chegar a seus pés, ele já está antevendo a jogada. Se os seus companheiros estiverem espertos, receberão bolas em excelentes condições.

Do outro a falta dele. Na indecisão da jogada, a opção pela imprudência, não pensando que sua atitude poderia complicar a vida de seus companheiros dentro de campo.

Esta comparação retratou bem a situação do Coritiba no clássico de ontem.

Alex, com sua inteligência, empatou a partida, colocou o Coritiba novamente no jogo, e quase fez mais dois gols em cobranças de falta, muito bem defendidas pelo goleiro adversário.

Pereira (ainda acho muito útil ao time dentro de campo), não teve o sangue frio que se esperava de um dos atletas mais experientes do grupo. Foi imprudente e justamente expulso. Em um campo encharcado pela chuva poderia ter quebrado a perna do adversário. Seu ato desprovido de massa encefálica complicou a vida do time.

Na hora ficou vísivel que o zagueirão Alviverde teve um segundo de indecisão, fazendo a opção errada pelo carrinho frontal.

Mas poderíamos colocar os motivos da derrota somente na conta da expulsão de Pereira ou no erro grotesco de William, que colocou a bola nos pés do jogador paranista?

Não, eu diria. Seria muito injusto com os dois atletas, pois não foram somente eles que estavam dentro de campo.

A conta poderia ser colocada no bolso de praticamente todos os atletas, desde Vanderlei e sua insegurança em sair com os pés, Gil, o bom Gil, mas que levou um baile do lateral paranista, de Chico, facilmente driblado no primeiro gol do adversário, de Eltinho e sua natural improdutividade, de Robinho, que fez sua pior partida no ano, de Julio Cesar, que mais uma vez ficou devendo, e de Patric, que ao entrar, teve um corredor inteiro a sua frente, mas a sua “timidez” o impediu de explorá-lo, ou até mesmo o técnico Marquinhos quando optou por não recompor a zaga, quando o correto talvez fosse a saída de Robinho para a entrada de Luccas Claro.

O que o Coritiba precisa deixar de lado é a inconstância que tem marcado a trajetória do time nesta temporada.

O time tem qualidade e isso já foi mostrado, mas um time que faz um jogo praticamente perfeito na vitória contra o J. Malucelli, não pode na rodada seguinte entrar de maneira apática e deligada contra um time, nada mais do que mediano, como o Paraná Clube.

O título só depende dos esforços do Coritiba, mas não o Coritiba visto na partida de ontem. Este Coritiba, apático e sem alma, não leva o título do campeonato paranaense.

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Marquinhos Santos ainda está longe de ser considerado uma unanimidade dentro do Alto da Glória, mas também não pode ser responsabilizado sozinho quando o time não vai bem.

A própria torcida Alviverde está indecisa quanto ao melhor esquema tático para o time, pois quando foi mal no 4-2-3-1 pediu o 3-5-2, mas alguns após a derrota de ontem esbravejam contra o sistema com três zagueiros e pediam a volta do esquema utilizado nas últimas três temporadas.

Como bem disse o Alex, na coletiva de ontem, o treinador Alviverde trabalhou a semana inteira, mas as falhas individuais colocaram por terra todo o trabalho realizado.

A competência do treinador pode ser observada na volta do intervalo, quando chegou ao empate, justamente do jeito que tinha previsto, ao armar o time para atacar pelos lados, adiantando Alex para atuar praticamente como um centroavante.

Por outro lado, um treinador de um clube como o Coritiba não pode se dizer surpreso com o esquema tático adotado pelo adversário.

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A derrota para o Paraná Clube, mesmo que doída para o torcedor, não tem motivos para abalar as estruturas do Alto da Glória.

O trabalho precisa continuar. Este time, mesmo que aos trancos e barrancos, foi o campeão do primeiro turno e já está na final.

Todos correm atrás do Coritiba e naturalmente isso faz com que todas as partidas disputadas pelo Coxa sejam mais complicadas.

Mas a derrota precisa servir de lição para o grupo de jogadores.

Quando um time mais qualificado tecnicamente entra desligado dentro de campo, o outro time igualará as forças na base da vontade e com velocidade. E foi justamente o que aconteceu ontem no Couto Pereira.

O Coritiba entrou desligado e o Paraná aproveitou as chances para fazer um grande jogo e vencer a partida.

Para um time que deseja fazer o algo mais nesta temporada, é mais do que necessário que seus jogadores estejam ligados do início ao fim da partida.

Saudações Alviverdes
Ricardo Honório




Sobre o autor

Ricardo Honório
Ricardo Alexandre Honório Alves, mais conhecido como Ricardo Honório, funcionário público federal. Coxa-Branca desde 1975, tem como maior ídolo o craque Tostão, maior jogador que viu jogar com a camisa Coxa. Louco por futebol desde criança, tinha como hobby colecionar figurinhas e a Revista Placar, além da leitura diária de jornais esportivos. Com isso desenvolveu o gosto por acompanhar tudo que envolvia futebol e não apenas o Coritiba, o que o tornou Colunista do COXAnautas desde 2005, convidado pelo amigo Luiz Betenheuser, sendo o responsável pelas informações não só do Coritiba, como principalmente dos adversários do Verdão.

Sobre o blog

O Blog "Falando de Bola" é comandado pelo estudioso do futebol Ricardo Honório e visa abordar tudo que envolve o mundo da bola, focando, claro, no Coritiba. Adversários, tendências do futebol atual, táticas, mercado da bola, futebol internacional e tudo que estiver ligado ao tema você encontrará nesse espaço, que tem o objetivo de ser uma verdadeira "arquibancada virtual", onde o assunto é sempre ela: a bola.
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