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Falando de Bola
Falando de BolaRicardo Honório

O monitoramento e a perda de tempo

Mesmo que ainda não confirmado de maneira oficial pelo Coritiba, o atacante Henrique está chegando ao Alto da Glória, a pedido do técnico Ney Franco.

Henrique foi revelado no São Paulo e chegou a ser eleito o melhor jogador do Mundial Sub-20 de 2011, além de ter sido o artilheiro do campeonato.

A carreira que era cercada de expectativas após a grande participação no Mundial, frustrou aqueles que esperavam estar nascendo um grande craque no futebol brasileiro.

Após sair do São Paulo, o jogador perambulou por diversas equipes, dentre as quais o Vitória, Granada da Espanha, Sport, Bahia e Botafogo e Bahia, onde em nenhum deles conseguiu atingir o mesmo nível de atuações alcançado naquele campeonato.

É um jogador incisivo e rápido, que costuma atuar centralizado, mostrando bom poder de conclusão, mas extremamente irregular e que não consegue ter uma sequência positiva em sua carreira.

O problema é que o jogador, atualmente no Botafogo, só disputou cinco jogos na temporada, tendo sido afastado do grupo principal do time carioca pelo técnico Renè Simões.

Ou seja, chega ao Coritiba para ser mais uma aposta, como tantas que já foram trazidas neste ano, sem a mínima certeza de que irá melhorar o desempenho do fraco ataque do time Alviverde.

Resta saber se o jogador irá suportar a enorme pressão que deverá vir das arquibancadas se o desempenho do time não melhorar nas próximas partidas.

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Nada contra a contratação de Henrique, até porque já mostrou em outras oportunidades que tem qualidade, e considerando a fase atual dos atacantes Alviverdes, o jogador pode ser útil ao técnico do Coritiba.

Mas a chegada deste atleta, mais uma que está em baixa e sem jogar, mostra a falta de criatividade do Departamento de Futebol do Coritiba na tentativa de reforçar o elenco.

O Coritiba tem se caracterizado nesta temporada por trazer atletas, principalmente para o Campeonato Brasileiro, que são conhecidos e que estão em baixa, praticamente livres do seu clube de origem.

Wilson, Rafael Marques, Lucio Flávio, Marcos Aurélio e Kleber são alguns dos exemplos de jogadores que estavam em baixa e na reserva de seus clubes, talvez com exceção do meio Lucio Flávio, que ainda era o melhor jogador do time paranista, mas que teve seu contrato encerrado e resolveu sair.

O interesse no lateral Léo Moura é outro exemplo da falta de criatividade em captar novos jogadores.

E para se trazer jogadores assim, conhecidos da comunidade futebolística, não é necessário um grande estudo, nem um grande investimento no Departamento de Futebol.

Diferente do Atlético, que montou um time jovem de qualidade e que reforçou com três jogadores estrangeiros para posições pontuais, o que gerou um investimento do clube e que deverá trazer um retorno dentro e fora de campo, o Coritiba sempre está monitorando atletas, mas sem eficácia.

Um atacante como Henrique não precisa ser constantemente monitorado para ser trazido. É o típico reforço que não precisa meses de observação para ser contratado.

E talvez seja na fase de monitoramento que o Coritiba ande perdendo tempo e bons negócios.

O caso do uruguaio Sebastian Fernandez é emblemático. O Coritiba vinha monitorando o jogador há tempos, e um dia antes da janela fechar, diz que o negócio esfriou.

E assim perde alternativas estrangeiras para reforçar o seu time, o que seria a melhor opção no momento, tamanha a dificuldade em encontrar bons jogadores disponíveis no mercado brasileiro.

E o longo tempo monitorando atletas, cujas negociações não tem um desfecho positivo, talvez seja o principal causador da fraca campanha do time até o momento.

A falta de dinheiro não pode ser usada como desculpa para as dificuldades em contratar, pois quanto já foi gasto com os mais de vinte jogadores contratados só neste ano?

E quantos deles deram certo?

Em uma empresa séria, o Departamento de Futebol do clube ao menos já teria passado por uma Auditoria, para que fosse verificado o quanto o clube perdeu de dinheiro com a vinda de jogadores que não deram retorno dentro de campo.

Enquanto alguns clubes vão contratando e melhorando suas equipes, o Coritiba vai monitorando, monitorando, monitorando...

Saudações Alviverdes
Ricardo Honório

Sobre o autor

Ricardo Honório
Ricardo Alexandre Honório Alves, mais conhecido como Ricardo Honório, funcionário público federal. Coxa-Branca desde 1975, tem como maior ídolo o craque Tostão, maior jogador que viu jogar com a camisa Coxa. Louco por futebol desde criança, tinha como hobby colecionar figurinhas e a Revista Placar, além da leitura diária de jornais esportivos. Com isso desenvolveu o gosto por acompanhar tudo que envolvia futebol e não apenas o Coritiba, o que o tornou Colunista do COXAnautas desde 2005, convidado pelo amigo Luiz Betenheuser, sendo o responsável pelas informações não só do Coritiba, como principalmente dos adversários do Verdão.

Sobre o blog

O Blog "Falando de Bola" é comandado pelo estudioso do futebol Ricardo Honório e visa abordar tudo que envolve o mundo da bola, focando, claro, no Coritiba. Adversários, tendências do futebol atual, táticas, mercado da bola, futebol internacional e tudo que estiver ligado ao tema você encontrará nesse espaço, que tem o objetivo de ser uma verdadeira "arquibancada virtual", onde o assunto é sempre ela: a bola.
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