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Falando de Bola
Falando de BolaRicardo Honório

Por que a gente insiste nisso?

Depois que desliguei a tv, logo após o apito final do árbitro que trabalhou na partida entre Figueirense x Coritiba, me peguei pensando por alguns minutos:

Por que eu insisto em assistir os jogos do Coritiba?

Dentro do Couto Pereira eu até ainda consigo entender.

É um lugar sagrado para mim. É como se eu estivesse em minha segunda casa. Ali, como se fosse mágico, eu me sinto bem, independente da fase em que o time se encontra.

A própria atmosfera daquele estádio e os vários momentos inesquecíveis que já vi acontecerem lá dentro me fazem querer sempre estar lá.

Posso me juntar aos amigos que lá encontro e aos vários anônimos como eu, e torcer, gritar, xingar, bater palmas, chorar, se emocionar e sempre chegar a conclusão, por pior que seja a atuação do time, que estar no Couto Pereira valeu a pena.

Mas e aí me peguei novamente pensando no por que em perder um bom tempo de um dia qualquer vendo um jogo do Coritiba fora de casa.

Nem o amor pelo time explica mais este sadomasoquismo.

É como se você fosse dispensado pela mulher que ama, mas continuasse correndo atrás dela, sem que ela lhe desse o mínimo de atenção. É exatamente isso que o Coritiba faz com seus apaixonados quando atua longe de seus domínios. Vira a cara, não dá a mínima e joga com aquele ar "blasé", de quem não está nem aí para você.

O time se acovarda, se encolhe, não mostra nenhum poder de reação e muito menos força para tentar vencer a partida. Parece não dar a mínima para aqueles que sofrem pelo Coritiba.

E há tempos isso vem acontecendo. É só pegar o retrospecto das partidas do Coritiba fora de casa nos últimos anos. Um time que se agiganta dentro do seu estádio, o que não vem acontecendo este ano, mas que não passa de um time covarde quando atua fora.

E assim segue a vida do Coritiba. Um time que não empolga ninguém.

Uma vez me falaram que um bom time não leva torcida ao estádio, e que é falsa aquela máxima "contratem que a torcida" paga. Concordo em partes, pois acho que realmente é ilusório contratar jogadores achando que a torcida pagará o investimento, porém, acho que um bom time eleva a média de torcedores no estádio.

Mas se acham que um time em alta não dá retorno de público, o que dizer de um time com desempenho pífio?

Tempos atrás eu não perdia um jogo do Coritiba, chegando inclusive a acompanhá-lo diversas vezes em partidas fora de Curitiba. Mas hoje, está cada vez mais próximo o momento em que a minha televisão estará desligada, e eu estarei ocupando muito melhor o meu tempo nos horários em que o time Alviverde estiver jogando fora de casa.

Dizem que o amor pelo seu clube do coração nunca acabará. Mas eu começo a desconfiar disso. Acho que o amor pode acabar sim, sobrando apenas o carinho e o respeito por quem um dia já lhe deu muitas alegrias.

E quando se tem um amor incompreendido e não retribuído, a tendência é ele chegar ao seu fim.

Saudações Alviverdes
Ricardo Honório

Sobre o autor

Ricardo Honório
Ricardo Alexandre Honório Alves, mais conhecido como Ricardo Honório, funcionário público federal. Coxa-Branca desde 1975, tem como maior ídolo o craque Tostão, maior jogador que viu jogar com a camisa Coxa. Louco por futebol desde criança, tinha como hobby colecionar figurinhas e a Revista Placar, além da leitura diária de jornais esportivos. Com isso desenvolveu o gosto por acompanhar tudo que envolvia futebol e não apenas o Coritiba, o que o tornou Colunista do COXAnautas desde 2005, convidado pelo amigo Luiz Betenheuser, sendo o responsável pelas informações não só do Coritiba, como principalmente dos adversários do Verdão.

Sobre o blog

O Blog "Falando de Bola" é comandado pelo estudioso do futebol Ricardo Honório e visa abordar tudo que envolve o mundo da bola, focando, claro, no Coritiba. Adversários, tendências do futebol atual, táticas, mercado da bola, futebol internacional e tudo que estiver ligado ao tema você encontrará nesse espaço, que tem o objetivo de ser uma verdadeira "arquibancada virtual", onde o assunto é sempre ela: a bola.
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