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Falando de Bola
Falando de BolaRicardo Honório

Futebol sem graça




Acertadamente o técnico Muricy Ramalho disparou contra o juiz da partida que deu um cartão amarelo ao craque Neymar pela demora na comemoração do segundo gol santista.

O cartão e conseqüentemente a crítica feita por Muricy abre um leque de situações que tem tornado mais chato, monótono e sem graça o futebol brasileiro.

Vamos falar especificamente do futebol paranaense.

Tudo começou com Mario Celso Petraglia em um Atletiba, proibindo a torcida Coxa de levar seus adereços, faixas, bandeiras e instrumentos de bateria. Além disso, colocou a torcida do Coritiba em um espaço diminuto na Baixada.

Em contrapartida, João Jacob Mehl, então presidente do Coritiba, deu o troco na mesma moeda, colocando a torcida do Atlético apenas no primeiro anel do lado da Mauá, fazendo com que a torcida do Coritiba que ocupava o anel acima, jogasse para cima dos atleticanos líquidos de todos os tipos.

Ali o futebol paranaense começava a perder a graça.

Acostumado a ver os Atletibas multicoloridos na década de 80 e começo dos anos 90, as arquibancadas dos estádios sem as bandeiras e faixas do adversário traziam um cinza sem graça ao espetáculo.


Soma-se a isso a absurda regra dos 10% do espaço para o visitante, que faz o clube mandante perder dinheiro e deixa vários espaços vazios nas arquibancadas, além é claro de prejudicar o visitante, que não pode ter mais torcedores lhe apoiando.

Usando de grande criatividade, a torcida do Coritiba criou o Green Hell o espetáculo mais bonito visto nos gramados brasileiros, quem sabe do mundo.

Mas alguém sentado atrás de sua mesa, que talvez tenha ido muito pouco a um estádio de futebol, proibiu o uso de fogos de artifício e sinalizadores, tirando dos estádios este belíssimo espetáculo.

Em vez de se procurar uma alternativa para manter o lindo espetáculo, optou-se pela proibição total, medida mais comum quando se opta pela decisão mais cômoda e desprovida de inteligência.

E para fechar com chave de ouro as trapalhadas dos dirigentes paranaenses, a proibição da entrega do troféu de campeão paranaense de 2008 ao Coritiba dentro da Baixada, pelo então mandatário atleticano, prova quanto pequeno pensam algumas pessoas, deixando de lado o espetáculo em prol de suas vaidades pessoais.

Se fora de campo o futebol tem ficado cada vez mais monocromático, o que dizer então dele jogado dentro de campo.

A falta de técnica e habilidade da maioria dos jogadores, os esquemas defensivos, a desesperada luta por resultados, que ocasiona a armação do seu time de acordo com o adversário, os erros crassos de arbitragem já seriam alguns ingredientes que tem diminuído a graça do futebol brasileiro.

Hoje se valoriza muito mais um jogador brucutu, aquele que “dá porrada e levanta o adversário”, do que propriamente o craque.

O craque é perseguido pela torcida adversária, é vaiado cada vez que pega na bola, cada falta que recebe é motivo de reclamação, cada desarme que sofre é comemorado como se fosse um gol, cada falta que comete faz a torcida adversária pedir a sua expulsão.

O craque pode apanhar o jogo inteiro, mas não pode reclamar, não pode cometer uma falta.

O “brucutu” pode bater o jogo inteiro, mas o craque não pode comemorar seu gol de maneira mais entusiasta.

O “brucutu” bate uma, duas, três seguidas e não é punido. O craque dá um drible diferente e desconcertante e é punido com cartão por desrespeitar o adversário.

Seria pura demagogia dizer que a torcida teria a obrigação de aplaudir ou não vaiar o craque do time adversário, porém os juízes dentro de campo teriam que dar vazão ao espetáculo e não punir quando se é comemorado o momento mais sublime de uma partida de futebol, principalmente quando o “craque em questão” não cometeu nenhum desrespeito a torcida adversária.

O craque é responsável por trazer público ao estádio, por trazer sorriso ao rosto do torcedor e principalmente dos pequenos torcedores.

Não podemos deixar que o futebol moderno apague o brilho dos nossos craques e deixe os outros países em igualdade de condições com o Brasil, justamente por não sabermos cuidar dos nossos craques.



Se o futebol brasileiro tem se tornado cada vez mais chato e mecânico, imagine então o que seria do futebol sem o craque?


Saudações Alviverdes
Ricardo Honório








Sobre o autor

Ricardo Honório
Ricardo Alexandre Honório Alves, mais conhecido como Ricardo Honório, funcionário público federal. Coxa-Branca desde 1975, tem como maior ídolo o craque Tostão, maior jogador que viu jogar com a camisa Coxa. Louco por futebol desde criança, tinha como hobby colecionar figurinhas e a Revista Placar, além da leitura diária de jornais esportivos. Com isso desenvolveu o gosto por acompanhar tudo que envolvia futebol e não apenas o Coritiba, o que o tornou Colunista do COXAnautas desde 2005, convidado pelo amigo Luiz Betenheuser, sendo o responsável pelas informações não só do Coritiba, como principalmente dos adversários do Verdão.

Sobre o blog

O Blog "Falando de Bola" é comandado pelo estudioso do futebol Ricardo Honório e visa abordar tudo que envolve o mundo da bola, focando, claro, no Coritiba. Adversários, tendências do futebol atual, táticas, mercado da bola, futebol internacional e tudo que estiver ligado ao tema você encontrará nesse espaço, que tem o objetivo de ser uma verdadeira "arquibancada virtual", onde o assunto é sempre ela: a bola.
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