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Falando de Bola
Falando de BolaRicardo Honório

O retrato do futebol brasileiro



Laterais que praticamente não passam do meio-campo e quando passam não sabem o que fazer com a bola ou a levantam da intermediária, dificilmente chegando à linha de fundo.

Volantes que não acertam passes de um metro e que dificilmente conseguem desarmar uma jogada sem cometer falta.

Meias, que antes eram chamados de armadores, mas que viraram meias-pontas, que deveriam armar o jogo, mas que estão sendo escalados para fechar as laterais e marcar os adversários, esquecendo que a principal função deveria ser chegar ao gol adversário e não apenas impedir que o adversário chegue ao seu gol.

Atacantes cada vez mais isolados e que pouco finalizam ao gol adversário, principalmente porque quem deveria dar-lhe condição para arrematar, está mais preocupado em seguir as instruções do seu treinador e marcar a meia-cancha adversária.

Treinadores mais preocupados em antes se defender do que atacar. Times armados defensivamente, onde o famoso e recente “ferrolho” é comemorado pela grande maioria dos treinadores como uma grande virtude tática em suas escalações.

Esse é o retrato do futebol brasileiro atual, onde a habilidade, a técnica, o improviso, a jogada de efeito, a categoria, a cabeça erguida, o chapéu, o gol de bicicleta estão cada vez mais raros.

Por outro lado, o passe errado, o chute torto, a falta de habilidade, de domínio, de fundamentos básicos estão cada vez mais presentes nos campos de futebol do Brasil.

E a partida horrorosa entre Coritiba e Corinthians provou que o futebol brasileiro está em franca decadência.

Os dois times só se preocuparam em marcar. Atuaram um com medo do outro. A bola não passava pela meia-cancha.

Alex e Jadson, que deveriam ser os protagonistas da partida, pegaram muito pouco na bola, pois a ligação direta dos zagueiros estava em evidência na partida.

Os times não conseguiam trocar mais de quatro passes sem que a bola fosse entregue para o adversário ou jogada pela linha de fundo ou pela lateral.

Chutes a gol foram muito poucos, porém passes errados e faltas aconteciam a todo o momento.

O Coritiba ainda tem um grande craque, talvez um dos últimos e que infelizmente está encerrando sua carreira. O problema é que a bola, entregue por Baraka, Germano, Dudu, chegava quadrada ao craque Alviverde, que ao tentar dominar já se via cercado por três adversários.

O Corinthians, um dos “favoritos” ao título, tem bons jogadores em sua meia-cancha. Bem, pelo menos é o que a imprensa nacional diz, pois na prática se Elias, Ralf, Petros, Jadson, Renato Augusto são jogadores selecionáveis, está explicada a situação difícil que se encontra o futebol brasileiro.

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Quanto ao Coritiba pouco a se falar.

A zaga segura com Wellington e Luccas Claro, mas não podem ser os responsáveis por fazer a bola chegar nos atacantes.

Nas laterais, o jovem Reginaldo se mostra ainda tímido e muito longe da expectativa criada em seu futebol. Na esquerda, Denner tem se firmado na parte defensiva, porém Carlinhos se mostrava muito mais efetivo na parte ofensiva. Como no futebol atual a primeira preocupação é se defender, que o antigo titular “mofe” no banco de reservas.

Os volantes defendem, mas não dão seguimento as jogadas. Pelo pouco que mostrou, Helber deve ganhar a vaga de Germano.

Na meia, o jovem Dudu é o reflexo dos meias-pontas e do sistema 4-2-3-1. Primeira função é marcar e se sobrar fôlego até pode criar jogadas e atacar o adversário. Com isso, a armação das jogadas ofensivas do Coritiba fica cada vez mais dependente de Alex.

O ataque se recente de um jogador com mais condições físicas e técnicas. Zé Love melhorou muito nas últimas partidas, mas na sua ausência o Coritiba depende de Keirrison, mas não dá para esperar um campeonato inteiro para que o K9 adquiria ritmo de jogo. Ele deveria ser tratado como uma opção, até para que possa readquirir a confiança, mas nunca como a solução neste momento.

A situação do Coritiba é muito difícil. O time luta, tem garra, mas falta maior envergadura técnica.

Dos treze jogos disputados, o time Alviverde só fez gols em cinco deles.

Só este dado já é suficiente para a diretoria perceber que precisa fazer sacrifícios para evitar uma possível queda para a segunda divisão.

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Ah e quanto ao futebol brasileiro, sorte de quem ainda consegue ver um jogador como Alex atuar, mesmo com toda dificuldade no mar de mediocridade técnica do Coritiba, pois do jeito que está veremos cada vez mais Barakas e Germanos sendo formados por aí.

Saudações Alviverdes
Ricardo Honório

Sobre o autor

Ricardo Honório
Ricardo Alexandre Honório Alves, mais conhecido como Ricardo Honório, funcionário público federal. Coxa-Branca desde 1975, tem como maior ídolo o craque Tostão, maior jogador que viu jogar com a camisa Coxa. Louco por futebol desde criança, tinha como hobby colecionar figurinhas e a Revista Placar, além da leitura diária de jornais esportivos. Com isso desenvolveu o gosto por acompanhar tudo que envolvia futebol e não apenas o Coritiba, o que o tornou Colunista do COXAnautas desde 2005, convidado pelo amigo Luiz Betenheuser, sendo o responsável pelas informações não só do Coritiba, como principalmente dos adversários do Verdão.

Sobre o blog

O Blog "Falando de Bola" é comandado pelo estudioso do futebol Ricardo Honório e visa abordar tudo que envolve o mundo da bola, focando, claro, no Coritiba. Adversários, tendências do futebol atual, táticas, mercado da bola, futebol internacional e tudo que estiver ligado ao tema você encontrará nesse espaço, que tem o objetivo de ser uma verdadeira "arquibancada virtual", onde o assunto é sempre ela: a bola.
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