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Falando de Bola
Falando de BolaRicardo Honório

Somos imediatistas?

Ontem, ao final de mais um fracasso, o terceiro seguido do clube sob a administração da Treecorp, tentei refletir sobre o momento do Coritiba. Ou melhor, sobre o que vem acontecendo no clube há anos.

Muitas coisas vêm à cabeça, mas a resposta não vem. Somente dúvidas e mais dúvidas, e principalmente uma indignação muito grande, seguida de um grande cansaço mental ao ver que as coisas não estão andando como deveriam e que o clube está acumulando fracassos em cima de fracassos.

O Coritiba há muito tempo deixou de ser um clube respeitado por seus adversários. Hoje em dia, o que vemos é um arremedo de um clube de futebol. Um clube que já foi campeão brasileiro, mas que hoje vive à sombra de seu passado distante, e pior, sem nenhuma perspectiva de que isso irá mudar.

Nem com a transformação em Sociedade Anônima do Futebol as coisas conseguem andar para frente. Pelo contrário, estamos acumulando tabus ao contrário, sendo derrotados e eliminados por clubes que, tempos atrás, seriam facilmente superados. E aí vem aquela pergunta: Estariam os outros clubes evoluindo ou o Coritiba regredindo? Sinceramente, fico com as duas opções.

Vejam o caso do Maringá. Mesmo com poucos recursos, vem fazendo um trabalho honesto, ciente de suas limitações. Mas vem ao Couto Pereira e consegue sua classificação sem correr nenhum risco. Enquanto o seu treinador, Jorge Castilho, diz que sabia que a única tentativa de mudança tática do técnico Guto Ferreira seria através das bolas longas, o treinador do Coritiba humilha ainda mais o seu torcedor ao dizer na coletiva que é difícil jogar contra o Maringá. Como difícil então será jogar uma Série B contra Santos, Goiás, América/MG, Sport, Ceará, Guarani, Novorizontino, entre outros.

Aqui a coisa vai involuindo cada vez mais dentro de campo. E se as coisas dentro das quatro linhas não acontecem como deveriam, é sinal de que fora delas também não vão bem. Um reflexo disso é a contratação do técnico Guto Ferreira. Um treinador que não tem a capacidade de achar alternativas táticas para o seu time e fica dependendo de bolas longas para vencer o Maringá dentro de casa, não tem condições de levar o clube de volta para a Série A. Erro grave de quem avalizou seu retorno ao Coritiba, após ser mandado embora em 2022.

Pedir demissão do treinador não é ser imediatista ou achar que tudo vai mudar em um passe de mágica apenas com sua saída. Sabemos que não. O problema do Coritiba é muito mais grave. O que explica o baixo rendimento de atletas que faziam bons jogos em suas equipes de origem, ou então, a melhora técnica de jogadores que saíram recentemente daqui?

Isso precisa ser diagnosticado, senão correremos o risco de pedir a saída do próximo treinador em pouco tempo, isso é claro se o atual for demitido, o que sinceramente espero que aconteça.

O Coritiba precisa parar de investir em treinadores medianos, que possuem um histórico em suas carreiras de treinar dois ou três times por ano. Chegou a hora de investir em alguém em quem tenhamos a confiança de que poderá permanecer um período maior no clube e fazer um bom trabalho. É óbvio que nunca se tem a certeza de que o profissional vai dar certo, mas por outro lado, existem outros que temos a certeza que chegam com os dias contados. E isso precisa mudar no Coritiba.

Mas não apenas o trabalho do técnico precisa ser avaliado. O do CEO Carlos Amodeo também. Afinal, é ele o responsável por montar a estrutura do Coritiba atualmente. E pelos resultados dentro de campo, fica claro que as escolhas até aqui não foram as melhores. E não venham com papo de imediatismo, tão comum no futebol, pois não precisa ser um profissional da bola para ver que o rumo do Coritiba precisa ser corrigido com urgência, sob pena do clube fracassar na Série B.

Termino a coluna com um pensamento: Será que somos imediatistas, ou estamos cansados de tanta mediocridade? Fico com a segunda opção.

Saudações Alviverdes?

Sobre o autor

Ricardo Honório
Ricardo Alexandre Honório Alves, mais conhecido como Ricardo Honório, funcionário público federal. Coxa-Branca desde 1975, tem como maior ídolo o craque Tostão, maior jogador que viu jogar com a camisa Coxa. Louco por futebol desde criança, tinha como hobby colecionar figurinhas e a Revista Placar, além da leitura diária de jornais esportivos. Com isso desenvolveu o gosto por acompanhar tudo que envolvia futebol e não apenas o Coritiba, o que o tornou Colunista do COXAnautas desde 2005, convidado pelo amigo Luiz Betenheuser, sendo o responsável pelas informações não só do Coritiba, como principalmente dos adversários do Verdão.

Sobre o blog

O Blog "Falando de Bola" é comandado pelo estudioso do futebol Ricardo Honório e visa abordar tudo que envolve o mundo da bola, focando, claro, no Coritiba. Adversários, tendências do futebol atual, táticas, mercado da bola, futebol internacional e tudo que estiver ligado ao tema você encontrará nesse espaço, que tem o objetivo de ser uma verdadeira "arquibancada virtual", onde o assunto é sempre ela: a bola.
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