Timming errado?
Hoje, é ídolo na Argentina, campeão da Sul-Americana e da Recopa, e avaliado como um dos maiores ativos do futebol sul-americano. O que mudou?
A trajetória de Maravilla é mais uma daquelas que alimenta a eterna pergunta que atormenta o torcedor: será que deixamos passar mais um?
Infelizmente, não é a primeira vez que isso acontece. Já vimos o filme com Matheus Cunha, que saiu da base a troca de bananas para que o clube adquirisse o passe de Matheus Galdezani. Dodô, outro que atuou por aqui e era constatemente criticado, hoje é titular da Fiorentina. Igor Jesus, mais um vendido a baixo valor ao futebol árabe e que se tornou protagonista do Botafogo campeão brasileiro e da libertadores. O volante Zé Rafael, pouco utilizado no time profissional, se tornou multi-campeão pelo Palmeiras. E tantos outros que passaram como coadjuvantes no Couto Pereira e viraram protagonistas longe daqui.
É claro que cada caso tem suas particularidades. Talvez Adrián Martínez realmente não estivesse pronto em 2022, mesmo com 30 anos. Talvez a comissão técnica da época comandada por Guto Ferreira não enxergou seu potencial e optou por dispensá-lo. Talvez o ambiente do clube não favorecesse seu crescimento. Ou talvez o erro tenha sido nosso — por falta de paciência, de planejamento ou até mesmo de sensibilidade.
A verdade é que, por trás desses “talvez”, está uma falha recorrente do Coritiba nos últimos anos: a dificuldade em desenvolver talentos e extrair o melhor de quem chega. Quantos atletas chegam ao clube e parecem piores do que eram? Quantos saem e crescem em outras praças?
O caso Maravilla escancara uma ferida que vai além do campo. É sobre visão, continuidade, projeto e convicção. E, acima de tudo, é sobre valorizar antes que o mercado valorize.
Porque, no futebol, o timing é tudo. E talvez o nosso, no caso de Adrián Martinez, tenha sido, mais uma vez, errado.
Sobre o autor
Ricardo Alexandre Honório Alves, mais conhecido como Ricardo Honório, funcionário público federal. Coxa-Branca desde 1975, tem como maior ídolo o craque Tostão, maior jogador que viu jogar com a camisa Coxa. Louco por futebol desde criança, tinha como hobby colecionar figurinhas e a Revista Placar, além da leitura diária de jornais esportivos. Com isso desenvolveu o gosto por acompanhar tudo que envolvia futebol e não apenas o Coritiba, o que o tornou Colunista do COXAnautas desde 2005, convidado pelo amigo Luiz Betenheuser, sendo o responsável pelas informações não só do Coritiba, como principalmente dos adversários do Verdão.
Sobre o blog
O Blog "Falando de Bola" é comandado pelo estudioso do futebol Ricardo Honório e visa abordar tudo que envolve o mundo da bola, focando, claro, no Coritiba. Adversários, tendências do futebol atual, táticas, mercado da bola, futebol internacional e tudo que estiver ligado ao tema você encontrará nesse espaço, que tem o objetivo de ser uma verdadeira "arquibancada virtual", onde o assunto é sempre ela: a bola.
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