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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

# Vai pra Copa que te pariu!

Sinceramente, alguém tinha dúvidas com relação às mazelas sociais e financeiras que adviriam ou seriam ressaltadas com a Copa do Mundo? Alguém duvidava da corrupção?
Alguém tinha dúvida de que maquiavelicamente, burlando regras, e relativizando o conceito de interesse público, tudo seria feito ao padrão FIFA?

Nem a FIFA tinha dúvidas disso. Aliás, ela tinha certeza de que os políticos brasileiros seriam capazes e eficazes na consecução destes fins festivos. É muito mais fácil à FIFA, como à ONU, FMI e etc., lidar e impor sua vontade a países imensos e de educação rasa, como Brasil e África do Sul, ou teocracias e semi-ditaduras, como Russia e Catar, do que com desenvolvidas democracias.

Agora, com o que ela não contava era com a incompetência dos governos na entrega de exigências básicas, aliada à densa burocracia brasileira, mesmo mitigada pelas leis eventuais da Copa.
Alguém acreditou quando Ricardo Teixeira garantiu a copa totalmente com recursos privados? Alguém questionou? De 2007 a 2013, as críticas foram espaçadas, dispersas, e o apoio ao status quo forte, unido, garantido pelas mídias estatais, pelas particulares que se servem do estado, e pelos talismãs oportunistas como Ronaldo, Bebeto, e o eterno “xodó” da publicidade, Pelé.

Mesmo depois do fracasso do Pan 2007, (lembram?), não houve protestos significativos quanto à candidatura do Brasil como sede do mundial. Agora não me venha você, depois de podre o cadáver, me mandar emails de protestos. Não seja hipócrita de postar na sua rede social “#vemprarua” “copapraquem” ou coisa que o valha.

Protestar a esta altura do campeonato é tão vergonhoso quanto não tê-lo feito em 2007. Você que já está catalogando alvos para apedrejar e demonstrar toda sua coragem-covarde diante das lentes de todo o mundo, não é diferente dos monstros que atiram balas, pedras, paus, e vasos sanitários em seus semelhantes. Aliás, apesar da tristeza pela vítima, o caso do vaso sanitário é emblemático, porque, literalmente, quem atira e quem recebe, só pode ter merda na cabeça.

ROUPA SUJA SE LAVA EM CASA. Já bastam a incompetência e a imbecilidade dos governantes. Não deem mais margem para que o mundo fale ainda mais mal do povo brasileiro. Sair às ruas em dia de jogo é para quem quer aparecer. É oportunismo de movimento social que infelizmente ganhará combustível partidário diante da corrida eleitoreira que se avizinha. Não se renda a isso. Raciocine. Não é o mundo que precisa ver nossa força e nossa garra; apenas nossos governantes.

A copa está aí. Inês é morta. Ao menos mostremos civilidade. A dignidade de uma nação está em jogo. Não peço a você que se encha de um patriotismo repentino e pendure a bandeira brasileira na janela, como um corta-luz que ofusca a realidade triste que vem do lado de fora. Peço que tente aproveitar em paz o momento. Tirando tudo o que foi dito acima, pra quem gosta de futebol como nós, é um puta momento histórico. Discutamos táticas, bebamos cervejas nos estádios, e mostremos que é possível beber sem quebrá-los. Recebamos bem os gringos, conversemos com eles, façamos nossos filhos aprender o quão lindo pode ser o esporte. O quão mágico é o futebol.

O momento de protestar é em outubro, não em junho, nem em julho.

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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