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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

Cada um por si FC

Eu acho muito lindo a união dos atletas de futebol por melhores condições de trabalho, por menos jogos, e etc. Acho lindo e também um avilte à nossa inteligência que a discussão se restrinja a uma redução no calendário.
Os atletas estão brigando por esta redução há alguns meses e já querem fazer greve. Coitadinhos, ganham tão pouco...

Vocês sabem há quanto tempo existe no congresso projetos de leis e emendas constitucionais, para reduzir a jornada de trabalho semanal do povo comum, aquele que leva 2 horas em pé no ônibus para chegar ao trabalho e voltar para casa? Há décadas!
E nem por isso você vê a doméstica, o cobrador, se reunindo e pregando a revolta e a paralisação de seus “campeonatos” diários. Aliás, eles não tem tempo de se reunir, não podem se dar ao luxo de porem seus empregos em risco.

Querem discutir o futebol? Comecem discutindo a punição competitiva dos times devedores bem como a proibição de que sejam patrocinados pela iniciativa pública ou privada. Não enoja os senhores ver um time caloteiro ser patrocinado pela Caixa? Eletrobrás? Petrobrás?

Querem discutir o futebol? Discutam um teto justo de salário para jogadores e treinadores. Algo compatível com a realidade brasileira. Se mesmo pagando o absurdo que se paga hoje, todos sonham em ir para a Europa, e todos acabam indo, então que se pague pouco mesmo. Que se faça um contrato padrão, no valor “módico”, por exemplo, de R$35 mil reais, (maior ainda que o salário de presidente, governador e ministro do STF) com bônus por vitórias e por conquistas, vamos ver se essa bolerada não ataca a bola como um prato de comida.

Querem discutir o futebol? Discutam porque o site da CBF é dentro do site globo.com, (eu entendo que é dentro – digitem lá - www.cbf.com.br - e vejam se é mesmo), provando que se a ditadura militar acabou, no futebol impera a ditadura da mídia e do dinheiro.

Querem discutir futebol? Discutam o fim dos estaduais, criem ligas nacionais em diversas divisões. Muitos dizem que o fim dos estaduais seria o fim dos times pequenos... Errado! Basta criar séries E, F, um alfabeto inteiro se necessário, dando calendário anual e maior visibilidade e oportunidade a todos os clubes do Brasil. Façam copas regionais, aumentem o número de participantes da Copa do Brasil, dobrem, tripliquem as vagas se necessário. Façam em etapas como a Copa da Inglaterra, disputada por mais de 700 clubes, e os de elite entram nas fases decisórias.

Querem discutir o futebol? Liberem a cerveja nos estádios! Que democracia é essa, que o marginal pode entrar bêbado no estádio, e o pai de família não pode tomar uma gelada com a família e os amigos? Coloquem então um bafômetro em cada catraca do estádio! De que adianta proibir a bebida e deixar entrar os cozidos?

Querem discutir o futebol discutam o futebol como um todo, não restrinjam a discussão a uma melhora classista, sectária. Eu louvo os atletas pela iniciativa, é preciso iniciar a discussão de alguma forma, mas só isso não basta.

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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