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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

O período entre guerras

Um jovem, outro experiente. Um que, decepcionado com a bagunça que é um clube de futebol (quase todos), decepcionou a torcida e apequenou-se saltando do barco ainda no cais. O outro chega e mais do que rápido usa a velha tática do “novo” estádio para ofuscar o que realmente deve ser tratado como prioridade pela diretoria Coxa: o ano de 2015.
No máximo, a diretoria deve preocupar-se com 2016. Em fazer um time forte e equilibrado, assim como as finanças do clube. Falar em novo estádio, reforma completa do Couto, seja lá o que for, me ofende tanto quanto nos propor dividir o privadão com o Atlético. Nem que demore mais cinquenta anos, façamos as coisas como sempre fizemos, incentivando a iniciativa privada, e deixando o poder público cuidar e custear o que deve. Eu que defendo a ausência de policiais militares nos estádios, não posso admitir benesses públicas que além de sufocar o erário, prejudicam a estética e o crescimento ordenado da cidade, como permite esta questionável alegoria econômico-jurídica chamada potencial construtivo.
Mas, voltando ao futebol - que deveria ser foco da diretoria - muitos foram contratados que viraram reforços pontuais, como Henrique e o próprio Ney, mas muitos mais tornaram-se erros grosseiros e que devem deixar um passivo difícil de administrar. Isso sem contar ainda os emprestados, os afastados e os lesionados. A melhora técnica é sensível. Mesmo quando perdemos, como foi o caso contra o Cruzeiro, estamos jogando, se não com qualidade, com gana, com vontade e com dignidade. Uma vez garantida a permanência na Série A, o que ainda está distante, a prioridade única e exclusiva deve ser a montagem do elenco de 2016. Se possível com a manutenção do treinador, mais pela continuidade de um trabalho do que por achá-lo um ás da tática, e dos principais jogadores deste time, em especial, o miolo de zaga e o goleiro.

Aconteceu de tudo no período entre guerras: línguas chicotearam lombos, peixes morreram pela boca, estrelas cegaram-se e fizeram outros cegar com seu brilho e mesmo assim nós conseguimos de fato recuperar nossa honra. Mas quando leio/ouço/vejo baboseiras de um novo estádio como estas que, por pura falta de pautas conseguem grande destaque na imprensa, o Coxa não me deixa esquecer que ainda é como uma antiga nau. Comandada por Portugal, sempre entre guerras, navegando um tormentoso mar pedroso, esperando encontrar águas mais macias.

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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