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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

atletibinha




Eu, como muitos aqui, sou do tempo em que antes do atletiba dos prós, tinha o atletiba dos pequenos,fraldinhas, e meu pai, supersticioso, torcia para que o Coxa Mini sempre perdesse, dizia ele: “se a gente ganha agora, perde depois”. E não é que quase sempre o Baiano acertava?

Mas o atletibinha que se avizinha não tem partida principal, é só preliminar. Um jogo que certamente não é digno da história do confronto, mas também é o que o campeonato merece.

Não vi ainda o Atlético jogar, não sei quem são os seus destaques, nem suas jogadas, nem qual tem sido o esquema adotado por Pet. Mas, diante da completa ausência de vitórias, imagino que seja um time pior que o nosso.

E não me entendam mal, não acho que nosso time seja inteiramente ruim. Alguns se salvam. Como disse em coluna anterior, não espero raça e amor à camisa, até porque todos esses piás já tem belas assessorias, a ponto de se negarem a dar entrevista, tal qual fossem, gente grande.

Na verdade o que mais me preocupa é o senso de solidariedade inexistente de nossas “promessas”. O futebol de hoje não permite que o ponta esquerda fique na ponta esquerda quando o jogo está pela direita. Não permite que o volante fique na volância quando o time está atacando. Compactação, aproximação, movimentação, esse é o futebol de hoje. O jogo não se resolve mais, salvo raras exceções, com passes de Gerson. É tabela rápida, toque curto. E isso não se vê na nossa base. Por isso Keirrison está sempre sozinho lá na frente, aguardando uma companhia que nunca chega.

O pior é que, esse tipo de coisa se ensina quando pequeno, ou, no máximo, de maneira forçosa, quando o cara vai pra Europa e tem que se ligar na tática acima exposta, porque se não ele tá fora do time.

Espero que esteja errado, mas prevejo um atletibinha ruim, triste, melancólico. Com certeza tendo em vista o peso das camisas e a leveza das cabeças, os nervos se esquentarão e haverá bate boca, empurrões brigas e expulsões. Meninos tentando serem homens pela violência. Como se peitar o adversário fosse melhor que meter-lhe a bola entre as pernas. Talvez haja futebol.

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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