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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

Bastardos inglórios

Bastardo, termo usado corriqueiramente em seu tom pejorativo, possui um significado jurídico antigo. Preconceituoso até. Diz o Aurélio sobre o adjetivo:
1 gerado fora do matrimônio; adulterino. não reconhecido.
2. p.ext. que se degenerou; que não é puro (em relação à espécie a que pertence).
Bastardo não é sinônimo de órfão: quem perdeu os pais ou jamais os conheceu; é qualidade de quem sabe quem seus pais são, mas deles não recebeu nada além da indiferença.

Essa sensação de não pertencimento, de filhos não reconhecidos, ou que não recebem o afeto e o carinho do seu pai, que nessa nossa metáfora é o dirigente, fez com que muitos filhos se apaixonassem pela “tia” que melhor lhes acolhe, a torcida organizada. Fez outros filhos abandonarem de vez a casa, alimentando aquele amor de longe e outros tantos, simplesmente desistiram da relação e cortaram de vez o cordão umbilical. É essa sensação de abandono que põe em risco, - e é isso que mais temo ao olhar meu recém-nascido – o surgimento de uma nova safra de torcedores.
Como todo caso de família, este chegou aos ouvidos da vizinhança, encontrando porto seguro na mídia que, apesar de alguns excessos maldosos, apenas retumba o fato inconteste de que na nossa família existe de tudo: estelionato, estupro, adultério, etc., e etc. Os novos contratados, que mais parecem saídos daquele reality show “The Biggest Loser” são mais uns a entrar no coração da Mãe Coritba e mamar em sua teta.

Alienação Regimental é o que os dirigentes do Coxa fazem, há vinte anos, no mínimo. A ausência financeira, o descaso e o comportamento perdulário abençoado pelos conchavos e acordos mesquinhos nos tornou bastardos. E nessa condição, desesperados e desacorçoados, aceitamos acreditar em qualquer pílula dourada, qualquer pupilo de ouro, qualquer Bacellar que nos seja oferecido como pai e salvador.

Mas qual a solução para esses filhos? Qual a saída para esses que já se rebelaram, manifestando sua indignação e sofrimento pelo mundo real e virtual? Emancipar-se! Parar de esperar que a solução venha de cima. Parar de ouvir conselhos e conselheiros. É hora de os filhos saírem dos quartos e das dispensas, e assumirem suas posições na sala de estar. É hora de pegar o controle remoto nas mãos, abrir a geladeira, e ver o que dentro dela cheira tão mal. Abrir os armários, guarda-roupas e raspar-lhes o mofo e as traças. Tirar o pó das estantes e arredar os móveis velhos. Dedetizar do subsolo ao teto a casa e desratizá-la por completo, limpando-a até não sobrar uma única barata. Lavar a roupa que se encontra há anos sobre o tanque formando pilha imensa.
É hora dos dependentes tornarem-se responsáveis.

PS. Vem aí o Bernardo. Futuro parceiro de Kleber no ataque das cocotas da Woods, Shed, Ws e por aí afora. A noite Curitibana agradece.

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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